Um bebê de dois meses e meio nascido em Cascavel (Oeste) foi diagnosticado com microcefalia após ser infectado pelo vírus da zika ainda durante a gestação. Este é o primeiro caso de microcefalia registrado no Paraná e é acompanhado por profissionais das secretarias municipal e estadual de Saúde. A gerente de Atenção Especializada da Secretaria de Saúde de Cascavel, Nely Norder, destacou que o caso foi informado logo após o parto em um hospital da rede particular. Os primeiros exames foram feitos oito dias depois do nascimento. "Há cerca de duas semanas, eles retornaram para fazer novos exames e o resultado foi confirmado pelo Laboratório Central do Paraná (Lacen). Os dois tiveram zika. Houve uma transmissão vertical", informou Nely.
Segundo a gerente da Secretaria de Saúde de Cascavel, a gestante de pouco mais de 40 anos teve dois episódios de exantema (erupções cutâneas) que foram tratados como alergia alimentar. "Ainda não tivemos acesso às informações detalhadas do pré-natal e da ficha de atendimento", contou. O menino nasceu prematuro no sétimo mês de gestação e o hospital particular notificou a Secretaria Municipal de Saúde sobre a suspeita de microcefalia. O bebê foi encaminhado para a UTI e recebeu todos os cuidados necessários durante mais de 20 dias até a alta médica. "Ele receberá acompanhamento interdisciplinar e a mãe terá atendimento psicológico. A criança, aparentemente, se demonstra bem ativa, mas ainda não sabemos se ela terá algum comprometimento psicológico", explicou.
As consultas serão realizadas em um centro de referência para crianças e adolescentes de até 18 anos. A estrutura em Cascavel também oferece um ambulatório específico para o tratamento de recém-nascidos de alto risco.
Além do único caso de zika autóctone confirmado em Cascavel, 18 casos suspeitos foram notificados pela Secretaria Municipal de Saúde. Nove deles já foram descartados e outros nove estão sob investigação. Os casos suspeitos incluem duas gestantes que apresentaram sintomas da doença. Em todo o Paraná, 49 casos de fetos ou recém-nascidos que apresentaram má-formação foram acompanhados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Em dois deles, as gestantes sofreram aborto. Quarenta casos foram descartados porque se tratavam outras alterações genéticas. Outros dois casos de microcefalia foram causados por toxoplasmose congênita e outros quatro continuam sob investigação.
Segundo a infectopediatra da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Marion Burger, das mais de 300 gestantes notificadas por suspeita de infecção pelo vírus da zika, a confirmação da doença ocorreu para 39 mulheres, sendo que duas sofreram aborto, 32 crianças não apresentaram microcefalia e cinco gestantes devem realizar o parto entre novembro e dezembro. "Estamos tentando estruturar a rede da melhor forma possível. É uma situação bastante difícil. As capacitações dos profissionais estão sendo feitas tanto na rede pública quanto na particular. Nessas capacitações, quando nem todos os profissionais podem comparecer, a comissão de infecção hospitalar repassa as orientações ao corpo clínico do hospital. É uma situação bastante complexa que precisa de equipe multiprofissional. Nos casos de microcefalia e má-formação é importante trabalhar os estímulos", explicou.
Marion ressaltou a necessidade do combate aos focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da zika, da dengue e da febre chikungunya. Conforme o Ministério da Saúde, testes rápidos para a detecção do zika serão repassados aos Estados nos próximos meses.

COLORADO
Desde janeiro, o município de Colorado (Centro-Norte) diagnosticou 12 casos de zika em gestantes. Segundo a enfermeira e coordenadora da Atenção Primária e Saúde da Família da Secretaria de Saúde de Colorado, Margarete Teixeira, todas as gestantes receberam acompanhamento especial das equipes de saúde. "Além do pré-natal, psicólogos foram até a casa das pacientes, distribuímos repelentes e orientamos sobre o uso de roupas de mangas compridas e outros cuidados básicos de combate ao mosquito", contou. Houve contratação de mais agentes de endemias e treinamento para os profissionais da rede municipal.
Todas as 12 crianças nasceram sem microcefalia. Duas gestantes, uma delas mãe de gêmeos, mudaram de cidade e foram orientadas a buscar atendimento no novo município. As nove crianças que continuam em Colorado recebem acompanhamento médico. "Mesmo com o perímetro encefálico normal, é preciso acompanhar essas crianças porque elas podem apresentar problemas auditivos ou cognitivos, por exemplo", destacou. No primeiro ano, os bebês são acompanhados, simultaneamente, pelos profissionais de Colorado e da Santa Casa de Maringá. Depois, até completarem 2 anos, serão monitorados apenas pela rede de saúde de Colorado. Relatórios mensais são encaminhados à Secretaria de Estado da Saúde.

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