Paraná registra explosão no número de casos de dengue
Último boletim de 2019 mostra que Londrina tem 3.284 confirmações da doença
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
Último boletim de 2019 mostra que Londrina tem 3.284 confirmações da doença
Vitor Struck - Grupo Folha 
Com a confirmação de 3.293 casos de dengue desde o final de julho até esta terça-feira (17) no Paraná, segundo o mais recente boletim epidemiológico da Sesa (Secretaria Estadual de Saúde), o governo do estado mobilizou nesta quarta-feira (18) boa parte de sua estrutura em ações integradas de combate ao vetor. Além disso, servidores estaduais também foram orientados a procurar por possíveis criadouros do mosquito nos prédios públicos.

De acordo com último boletim de 2019 da Secretaria Municipal de Saúde, Londrina registra desde janeiro 3.284 casos confirmados da doença. Outros 628 aguardam o resultado de exames. Ao todo, 15.114 notificações foram registradas no período que acumula, também, oito mortes
O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, lembrou que a preocupação cresce com a chegada do verão e o aumento das chuvas. Ele ressaltou que os cerca de 300 agentes de endemias do município têm revezado os trabalhos de identificação dos criadouros e têm retornado aos sábados em residências cujo índice de infestação revelado pelo último Liraa (Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti) foi alto e os moradores não estavam em casa durante os dias úteis.
"Focamos as energias nas ações de remoção de criadouros. Mas é evidente que o mais importante é que consigamos conscientizar a população de que a doença pode levar a óbito", disse.
Questionado, Machado lembrou que não há previsão para que o governo federal envie o veneno utilizado no fumacê aos municípios que possuem altos índices de infestação. "Segue em falta", lamentou.
O último boletim da Secretaria de Estado da Saúde mostra um crescimento de quase 2.500% no número de casos confirmados em comparação com o mesmo período do ano passado, quando havia 108 casos positivos. Somente em uma semana foram confirmados 662 casos - um crescimento de 25,16%.
Agora, 16 municípios, três a mais do que no balanço anterior, estão em situação de alerta. São Miguel do Iguaçu, Guairaçá e Jacarezinho passam a fazer parte da lista que já contava com cidades como Cianorte, Indianópolis e Lindoeste.
Já o número de cidades que encontram-se em epidemia da doença passou de dez para 11. São elas Nova Cantu, Quinta do Sol, Inajá, Santa Isabel do Ivaí, Ângulo, Colorado, Doutor Camargo, Floraí, Uniflor, Florestópolis e Paranacity.
Dos 399 municípios paranaenses, 266 apresentam notificações de dengue, sendo Santa Isabel do Ivaí, Inajá e Nova Cantu os que registram maior índice. As três cidades possuem juntas 332 casos confirmados e é de Nova Cantu, no Centro-Oeste do estado, a primeira morte registrada no Paraná no segundo semestre deste ano. Uma mulher de 31 anos que apresentava quadro de anemia crônica teve a morte confirmada por dengue pela Sesa em 17 de novembro. Entretanto, 23 mortes causadas pela dengue já haviam sido confirmadas entre julho de 2018 e julho deste ano no Paraná.
De acordo com o governo do estado, nos próximos meses proprietários de cerca de 500 mil celulares cadastrados na Defesa Civil, 300 mil cadastrados no portal Paraná Inteligência Artificial e 96 mil caminhoneiros que atuam com o transporte de cargas no Porto de Paranaguá devem receber mensagens e orientações. Já a Secretaria Estadual de Educação organizou mutirões de limpeza nas escolas que mobilizaram alunos, professores e funcionários.
O secretário também lembrou que, segundo o último Liraa, entre 70% e 75% dos criadouros dos mosquito da dengue estão dentro de casa ou em recipientes que vão para o lixo. O primeiro Liraa de 2020 deve ser realizado entre o final de fevereiro e o início de março e as expectativas não são boas nesta época do ano.
"Todos os indicadores nos levam a um cenário preocupante. Com a chegada do verão e das férias, alguns moradores acabam não tomando os cuidados adequados. Tem casas que têm piscinas e que às vezes o morador não cobre com uma lona. São ações simples que o cidadão pode tomar no dia a dia, como olhar o quintal e que são preponderantes", alertou.
GRIPE
Além de registrar 12 novos casos de gripe causados pelo vírus Influenza totalizando 672 no ano, a Sesa também confirmou mais duas mortes em decorrência da doença. Em Mandaguari, uma bebê de um ano foi uma das vítimas, além de uma mulher de 29 anos de Marilândia do Sul, no Valo do Ivaí.
Felippe Machado descartou maiores preocupações em Londrina. Em relação ao sarampo, o município mantém oito casos confirmados, sem novas notificações nas últimas semanas. A vacinação contra a doença prossegue nas unidades básicas de saúde da zona rural e urbana, basta apresentar a carteira de vacinação e, se possível, documento oficial de identificação.


