Curitiba- O Brasil teve mais de 277 mil casos notificados de Aids de 1980 a 1993. Segundo o Ministério da Saúde, até agosto de 1999, foram registrados 5,7 mil casos de crianças de até 13 anos contaminadas pela mãe. A maior parte das chamadas transmissões verticais, que ocorrem com o contato materno-infantil, se devem à falta de tratamento médico adequado. Dos casos comprovados de transmissão vertical, 40% acabaram em óbitos, segundo os dados do Ministério da Saúde. A maior incidência desse tipo de transmissão está concentrada nas cidades de Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Vitória (ES) e São Paulo (SP).
No Paraná, até 1997 foram registrados 137 casos. Em 2002, foram 68 casos de transmissão vertical da Aids. Em 2003, o número caiu para 42, uma redução de 38% nos casos de transmissão da doença de mãe para filho. Um dos motivos para redução nos índices, segundo a diretora de epidemiologia e saúde ambiental da Secretaria de Saúde de Londrina, Josemari de Arruda Campos, é o programa Nascer, incentivado pelo Ministério da Saúde desde 1998. ''O programa disponibiliza recursos para investirmos na prevenção da transmissão vertical'', afirmou ela.
O primeiro caso registrado em Londrina de transmissão vertical foi em 1987, quando uma menina morreu com a deonça. De lá para cá, foram notificados outros 51 casos de crianças com Aids. A maior incidência foi em 1999, quando ocorreram oito notificações de transmissão vertical. No ano passado, foi notificado um caso. ''Os dados não são precisos. Muitas vezes a criança morre e não há um diagnóstico porque ela estava desnutrida, por exemplo'', disse a médica. Das 53 unidades de saúde de Londrina, 22 já receberam orientações sobre a feminilização da doença e os cuidados que as mulheres precisam ter para evitar a doença.
Dos 7,5 mil mulheres que tiveram partos de crianças nascidas vivas em Londrina no ano passado, estima-se que 0,5% seja soropositiva. Em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, apenas um caso de criança com Aids foi detectado pelo Comitê Municipal DST-Aids. A mãe teria demorado para fazer o pré-natal. Em Curitiba, o Programa Mãe Curitibana, de atenção à gestante, comemora o fato de nenhum bebê filho de mãe soropositiva ter contraído o vírus da Aids em 2003. Segundo o coordenador do programa, Edvin Javier Boza, o índice de transmissão vertical que era de 9% agora foi zerado. ''O resultado foi fruto de um trabalho constante da Prefeitura de Curitiba na busca pela saúde dos filhos das gestantes da cidade. Atendemos muita gente de outros estados e cidades por causa da maneira como diagnosticamos e cuidamos das doentes de Aids'', disse ele.
De 1999 a 2002, foram diagnosticadas 501 gestantes infectadas pelo HIV. Em 2003 foram 94. Com a interferência do Programa Mãe Curitibana, 16 crianças nasceram contaminadas até 2002. Boza conta que o diagnóstico antecipado e a medicação desde a 13 semana de gravidez foram fundamentais para o resultado positivo. A mãe é acompanhada desde o pré-natal até o desenvolvimento da criança, que ganha leite especial até o sétimo mês de vida. O leite continua a ser distribuído depois até os dois anos de idade, para evitar a amamentação e a transmissão da doença.

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