Paraná reduz mortalidade infantil em 80% em 30 anos
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sexta-feira, 02 de agosto de 2013
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina - Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE) divulgados ontem apontam que o Paraná reduziu em 80% a taxa de mortalidade infantil nos últimos 30 anos. Em 1980, a cada grupo de mil nascidos vivos, eram registradas 54 mortes de crianças com até 1 ano de idade. Já em 2010, o índice caiu para 10,8, o que fez o Estado saltar da 10ª para a 3ª posição no ranking nacional, atrás apenas de Santa Catarina (9,2) e Rio Grande do Sul (9,9).
A redução foi maior que a média nacional, que ficou em 75,8%. A mortalidade infantil no País despencou de 69,1 para 16,7 por mil nascidos vivos. Se os Estados das regiões Sul (10,1) e Sudeste (12,6) encabeçam a lista com as menores taxas, os últimos 13 colocados são do Norte (21,2) e Nordeste (23). A situação é pior no Piauí (23,4); Amapá (24,6); Maranhão (29) e Alagoas (30,2). Mesmo com números alarmantes, a melhora é significativa se comparada com 1980. Na época, Paraíba fechava a lista com a taxa de 117,1.
Com a mudança ocorrida ao longo de três décadas, o País passou, de 1980 a 2010, do 116º para o 91º lugar em expectativa de vida e do 118º para o 97º lugar em mortalidade infantil, na comparação feita com base em dados da Organização das Nações Unidas (ONU).
Apesar dos avanços, o Brasil continua longe dos líderes desses rankings (Japão, com 83,9 anos, no primeiro caso, e China/Hong Kong, com 1,89 nascidos vivos, no segundo). Permanece atrás mesmo de países vizinhos, como o Chile (o 34º em esperança de vida, com 79,20 anos; 47º em mortalidade infantil, com 6,54 por mil nascidos vivos).
Especialistas em saúde pública comemoram os dados, porém advertem que o patamar ainda está muito distante dos registrados em países desenvolvidos.
Análise
Em Londrina, a taxa de mortalidade infantil é de 11,7. O diretor-geral da Maternidade Lucilla Ballalai, Américo Guazzelli, destacou que programas como o aleitamento materno e o acompanhamento nos postos de saúde como os responsáveis pela melhora dos índices. "Essa atenção da rede de saúde é essencial para a redução da mortalidade infantil. A interação de todos os profissionais é o que garante os bons índices", apontou.
A Maternidade de Londrina é considerada modelo no Estado, com prêmios recebidos da Fundação Unicef - Hospital Amigo da Criança, em 2000 e considerado o melhor hospital do gênero no Sul do País em 2007, pelo Ministério da Saúde. O pioneirismo no parto humanizado pesou na premiação. "Nós não temos berçário. A criança fica o tempo todo ao lado da mãe. Este contato é importante desde as primeiras horas de vida", defendeu Guazzelli.
A enfermeira Lilian Poli de Castro, coordenadora do programa Saúde da Criança e Aleitamento Materno, destaca que desde 1994 os bebês de Londrina contam com o Comitê de Aleitamento Materno (Calma). Ela explicou que, segundo estudos, 13% das mortes de crianças de até 5 anos poderiam ser evitadas com o leite da mãe. "Até o sexto mês de vida, o bebê deve se alimentar exclusivamente do leite materno. Até os 2 anos, (o leite deve ser) conciliado com outros alimentos", recomendou. "O leite materno tem propriedades essenciais para o crescimento e desenvolvimento da criança."
Para Lilian, além da estruturação dos serviços de saúde, fatores econômicos também contribuíram para o avanço social. Ela destaca os programas de distribuição de renda e outros auxílios governamentais. "O Bolsa Família, que é muito criticado por determinados setores da sociedade, com certeza teve uma grande contribuição para o acesso da população a uma melhor alimentação, medicamentos. E isso reduz a mortalidade infantil", analisou.
Pastoral da Criança
Em parceria com intervenções do poder público, as ações de voluntariado também refletiram na elevação dos índices no País. Um exemplo é a Pastoral da Criança, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O embrião do projeto que hoje se expandiu até para o exterior foi gerado em 1983, na Paróquia de São João Batista, em Florestópolis, pertencente à Arquidiocese de Londrina. Com as visitas das líderes, as crianças passaram a ser acompanhadas por meio de pesagens e com reforço de alimentação, a multimistura, uma espécie de farinha rica em nutrientes que combatem a desnutrição.(Com Agência Estado)



