O Atlas da Violência 2016, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostrou redução de homicídios no Paraná entre 2004 e 2014. Em uma década, os assassinatos recuaram 4,3%, com variação de 27,8 para 26,6 homicídios por 100 mil habitantes. Apenas outras sete unidades da federação conseguiram diminuir os índices: São Paulo (52,4%); Rio de Janeiro (33,3%); Pernambuco (27,3%); Rondônia (14,1%); Espírito Santo (13,8%); Mato Grosso do Sul (7,7%) e Distrito Federal (7,4%).
Em 2014, 2.964 pessoas foram vítimas de homicídios no Paraná, contra 2.835 em 2004. Apesar do aumento de casos, a queda de 4,3% da taxa leva em conta o aumento populacional no período. Segundo o estudo, mesmo com a diminuição dos índices, o Paraná, com as 26,6 mortes por 100 mil habitantes, ainda mantém a maior taxa de homicídios do Sul do País, à frente de Santa Catarina (12,7) e Rio Grande do Sul (24,1). Os dois Estados, no entanto, apresentam aumento nos índices, de 16,7% e 30,5%, respectivamente.
A microrregião de Foz do Iguaçu, no Oeste, foi a que apresentou a segunda maior redução de homicídios no País (-58,76%), atrás apenas da microrregião de São Paulo (-64,98%). Contudo, a taxa de 31,51 assassinatos por 100 mil habitantes, registrada em 2014, ainda é preocupante. A microrregião fronteiriça está entre as cinco mais violentas do Estado, lista encabeçada pelas microrregiões de Telêmaco Borba (40,96); Curitiba (40,19); Paranaguá (35,57) e Palmas (32,57).
Se considerado o intervalo entre 2010 e 2014, a redução de homicídios no Estado é a maior do Brasil, de 20,9%, seguido pelo Espírito Santo (14,8%). O estudo aponta que "embora não se possa atribuir esses desempenhos às políticas implementadas nessas duas unidades federativas, o que necessitaria, obviamente, de um estudo aprofundado, cabe mencionar algumas inovações e ações tomadas por esses governos".
Sobre o Paraná, o estudo analisa que "o governo estadual investiu na integração entre a Polícia Civil e Militar e na maior qualificação e fortalecimento do trabalho de inteligência policial e Polícia Científica, que contribuíram para a identificação de membros de grupos ou de gangues". A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) informou que, além das ações citadas, reforçou o efetivo com mais de 10 mil policiais, adquiriu 1,4 mil viaturas, além de investir em sistemas de monitoramento por tornozeleiras eletrônicas e ações estratégicas de maior presença de policiais em locais e horários com maior incidência criminal.
O professor Pedro Bodê, coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), destacou que qualquer redução de homicídios é importante, mas, segundo ele, uma mudança substancial depende de mudanças mais profundas. "Para mudar a realidade atual é preciso uma reorganização do sistema, que passa, principalmente, pela restruturação da polícia", defendeu.
O sociólogo diz perceber pouca pressão da sociedade para que se modernize o sistema no País. "Como as maiores vítimas dos homicídios são trabalhadores, pobres, não há uma pressão para mudanças. O fato é que o número de pessoas vitimadas é assustadoramente alto", lamentou Bodê.

METODOLOGIA
Por meio de nota, a Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesp) informou que a metodologia utilizada pelo Atlas da Violência 2016 é distinta da usada pelo Estado. Segundo a nota, as estatísticas oficiais levam em conta o número de vítimas de cada evento e têm como base os inquéritos criminais da Polícia Civil, sendo divididos em homicídios dolosos, roubos seguidos de morte (latrocínios) e lesões corporais seguidas de morte. Já o Atlas da Violência leva em conta dados do Ministério da Saúde.
De acordo com os dados da Coordenadoria de Análise e Planejamento Estratégico (Cape), da Sesp, a taxa de homicídios do Paraná fechou o ano de 2015 com 21,6 homicídios para cada 100 mil habitantes. Em 2010, ainda segundo a Cape, a taxa era de 30,4. "O Paraná tem registrado seguidas reduções, mantendo a tendência de queda, na contramão dos índices nacionais. A Sesp avalia que houve uma expressiva queda no número de homicídios no Estado entre 2010 e 2015." Em números absolutos, segundo a Sesp, foram 860 mortes a menos neste período – uma redução de 26,2%. Entre 2010 e 2014, foram 761 mortes a menos (queda de 23,2%).

Imagem ilustrativa da imagem Paraná reduz homicídios, mas ainda lidera índice no Sul
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