Curitiba - Depois de três anos fechado, o Instituto de Criminalística do Paraná reinaugurou ontem de manhã o Laboratório de Hipnose Forense, único do gênero na América Latina. A unidade funcionou durante 10 anos, de 1998 a 2008, mas acabou suspendendo os atendimentos por conta da aposentadoria do coordenador da área, o psquiatra forense e perito criminal Rui Fernando Cruz Sampaio. A reabertura do laboratório foi possível agora, segundo o diretor do Instituto de Criminalística, Antonio Vaz de Siqueira, porque o Estado recontratou Sampaio.
O Laboratório de Hipnose Forense passou por uma readequação. Ele funciona em uma sala acústica, à prova de ruídos, construída dentro da sede da Criminalística, no centro de Curitiba. Ao lado, há uma sala espelhada, onde familiares dos pacientes e autoridades policiais poderão acompanhar a sessão de hipnose. A prática é usada em vítimas ou testemunhas de crimes como estupro, homicídios, atropelamento, assaltos e sequestros. Sampaio explicou que o critério para a utilização da hipnose é um trauma psicológico, chamado transtorno de estresse pós-traumático, que é quando a vítima cria uma amnésia parcial ou total do momento em que ocorreu o crime. Conforme o médico, com a hipnose, as vítimas podem lembrar de fatos ocorridos em dias, meses ou anos.
Entre 1998 e 2008, o Laboratório de Hipnose Forense atendeu cerca de 700 casos e Sampaio conta que quase 100% deles foram esclarecidos, seja na elaboração de retrato falado ou esclarecendo o que ocorreu no local e no dia do crime.
A instalação de laboratórios de hipnose forense não é simples pela falta de profissionais especializados disponíveis no mercado e também porque há alguns anos a prática vem conquistando maior credibilidade. Por enquanto, a unidade paranaense contará com o trabalho do médico Sampaio. Mas ele adianta que pretende treinar um outro profissional para ajudá-lo.

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