Paraná quer o fim do trabalho infantil nas lavouras de fumo
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quarta-feira, 22 de outubro de 2003
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Ministério Público (MP) do Trabalho e a bancada estadual do PT realizaram, ontem de manhã no Plenarinho da Assembléia Legislativa, uma audiência pública, com a participação de representantes de órgãos do governo, entidades civis, indústrias fumageiras e produtores de fumo do Paraná para discutir formas de viabilizar a cultura do fumo, eliminando o uso indiscriminado de agrotóxicos e o trabalho infantil, comuns hoje na fumicultura no Estado.
Segundo a procuradora do Trabalho, Margaret Matos de Carvalho, a audiência foi a forma encontrada para dar um encaminhamento prático às investigações que vêm sendo realizadas pelo MP desde 1998, para apurar o uso de mão de obra de menores nas plantações. ''A cultura do fumo envolve um número muito grande de crianças e adolescentes nos três estados do sul do País. Isso acontece porque os agricultores não conseguem cumprir as exigências das indústrias fumageiras e acabam colocando toda família para trabalhar na plantação'', disse.
Na audiência de ontem, também participaram representantes do Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A intenção é fechar um programa unificado para toda a Região Sul. Os participantes aprovaram um documento com uma proposta global de mudanças, que envolve desde formas de plantio, meios de proteção aos agricultores, condições para que crianças e adolescentes permaneçam em atividades escolares em período integral, até regras de comercialização do fumo no Paraná. Caso as indústrias fumageiras não acatem as mudanças, a serem aprovadas em nova audiência pública, o MP vai ajuizar uma ação civil pública contra o setor.
Segundo Margaret, calcula-se que existam cerca de 34 mil pequenos produtores de fumo no Estado. Considerando que cada família tem em média quatro integrantes, existem pelo menos 120 mil pessoas envolvidas na atividade. Destas, 60 mil devem ser menores de idade. Outro problema grave na fumicultura é o uso de agrotóxicos em grande quantidade. ''Esse agrotóxico causa a morte repentina nas pessoas. Elas sentem-se mal em um dia e em seguida morrem. Há também muitos casos de abortos, doenças de pele e respiratórias'', diz. Essa ação estende-se a até 1,5 quilômetro do local onde o produto é usado, contaminando hortas, rios e pomares.


