Curitiba - A tragédia que atingiu o litoral paranaense pegou milhares de pessoas de supresa e afetou a vida de muitas delas. Mas, afinal, tudo isso poderia ter sido evitado ou não? Para o geólogo, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rodolfo Angulo, se houvesse um sistema de alerta para avisar dos riscos que as pessoas que estavam correndo, provavelmente os estragos teriam proporção bem mais inferiores.
O geólogo ressalta que a destruição ocorrida em Morretes, Antonina e Paranaguá aconteceu não apenas por causa da chuva da última quinta e sexta-feira, mas devido a toda água que vem caindo de forma acumulada desde outubro do ano passado. Ele diz que é preciso definir os processos de enchentes, verificar quais são os tipos de ocupação nas áreas afetadas e mapear a vulnerabilidade da região, como as pessoas que habitam o local podem ser afetadas.
''Se fizer todo esse processo, é possível criar uma carta de risco, assim como é feito nos países mais desenvolvidos. Dessa forma, evita-se tragédias maiores'', acrescenta ao salientar que no Brasil não há uma política de prevenção de acidentes com análise de riscos. Ele lembra que em algumas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro já está havendo uma preocupação maior com as catástrofes e estão sendo feitos estudos.
Com relação ao solo da região do Litoral, o geólogo explica que é comum nas regiões tropicais solos mais espessos e profundos. As rochas que dão sustentação acabam se desfazendo e a consistência fica argilosa e ao mesmo tempo porosa. ''Se tem um solo inclinado e poroso, como um morro, a água da chuva infiltra, aumenta o peso da estrutura, e chega um momento que cai para algum lado, por não ter força para sustentar'', explicou.

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