Londrina - A segurança pública do Paraná está em uma situação caótica. O contingente de policiais militares e civis hoje é menor do que há uma década. Em 2000 havia 18.410 policiais militares e 3.931 policiais civis atuando. No início deste ano, com praticamente 1 milhão de habitantes a mais do que dez anos atrás, 16.700 PMs e 3.700 policiais civis buscavam garantir a proteção de praticamente 10,5 milhões de habitantes. Os dados foram divulgados pelo governo do Estado no início da semana.
Num cenário inseguro como o atual, empresas de segurança passaram a entrar em cena. Hoje um exército de aproximadamente 22.600 vigilantes, número superior ao de policiais, atua no Paraná. O dado é do presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região (Sindvigilantes), João Soares. O problema é que o número de profissionais atuando na ilegalidade é muito maior. ''Para cada um desses 22 mil vigilantes existem outros três atuando de forma ilegal'', afirmou Soares.
De acordo com o Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Paraná (Sindesp), o Estado conta hoje com 103 empresas regularizadas. ''O último levantamento que realizamos em 2008 apurou que havia mais de 600 empresas ilegais funcionando no Paraná'', observou o presidente da entidade Maurício Smaniotto.
De acordo Wilson Bonfim, chefe da delegacia de Controle de Segurança Privada no Paraná (Delesp), o número do Sindesp está acima da realidade. ''Eles realizaram uma pesquisa na junta comercial e contabilizaram todas as empresas que possuíam segurança em seu nome. Nem todas elas atuam na área'', observou.
Bonfim afirma que a Polícia Federal realiza frequentemente fiscalizações para detectar se há empresas atuando de forma ilegal. ''Quando recebemos a denúncia atuamos. Recolhemos todo material dessas empresas e encerramos suas atividades. Neste ano aqui na região de Curitiba notificamos 12 empresas'', afirmou.
Em 2008 a PF realizou a Operação Varredura, que resultou no fechamento de 53 empresas irregulares no Estado. Segundo Bonfim, algumas se regularizaram. ''Em 2008 havia 63 empresas certificadas e hoje temos 103.''
Para o sociólogo Antonio Rangel Bandeira, que atua no controle de armas da ONG Viva Rio, entidade favorável ao desarmamento, um grande número das cerca de 8 milhões de armas ilegais que circulam no País está nas mãos de empresas de segurança descredenciadas.
De acordo com Smaniotto, empresas que atuam irregularmente no Estado usam armas de fogo igualamente ilegais. Segundo Bonfim consumidores podem descobrir se uma empresa é regularizada pelo próprio site da Polícia Federal. ''Se preferir pode pesquisar no sindicato ou em uma delegacia da PF'', acrescentou.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, que informou por meio da assessoria que pretende expandir o contingente policial do Estado nos próximos três anos. Mas ainda não está definido se novos concursos para policiais militares e civis serão realizados ou se aprovados no concurso de 2010 serão convocados.

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