Curitiba- O projeto que prevê a implantação de uma política estadual de uso de plantas medicinais e fitoterápicos já foi aprovado pelo Ministério da Saúde e aguarda apenas a avaliação da Secretaria de Estado de Saúde para ser colocada em prática. Segundo Rosângela Maria Azevedo Bassi, ex-diretora da Escola de Saúde Pública e uma das coordenadoras do projeto, a política prevê que, em seis anos, o Estado se torne exportador de industrializados e de medicamentos fitoterápicos.
A proposta visa beneficiar o pequeno e médio produtor, a agricultura familiar, o município - que fará a compra regional de fitoterápicos - e principalmente o usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) que terá opção complementar de tratamento. Em um ano, seria pré-estabelecida uma cesta de medicamentos para atenção básica à saúde, com plantas medicinais e alguns manipulados já registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e produzidos por universidades do Paraná.
O segundo momento seria dedicado à capacitação dos profissionais da área e sensibilização dos municípios. O investimento previsto é de cerca de R$ 4 milhões, a partir dessa fase, quando serão selecionados de quatro a cinco municípios, em cada macrorregião, para participar do projeto-piloto. ''O município deve produzir aquilo que vai utilizar e o Estado precisaria coordenar uma central de medicamentos para suprir localidades que não cultivam determinadas espécies'', explica Rosângela Bassi, que é bióloga.
A longo prazo, o custo dos fitoterápicos se tornaria menor do que o dos alopáticos, ampliaria a geração de riquezas e empregos nos municípios. ''Temos uma das maiores biodiversidades de plantas medicinais do mundo, mas não agregamos valor a nossa produção, porque não produzimos medicamentos em escala industrial'', disse a biológa. Ela acrescenta que, havendo uma produção estadual maior do que a demanda do SUS, é possível repassar fitoterápicos para instituições privadas e até exportar os produtos.
A bióloga informa que, há muitos anos, o governo do Paraná desenvolve propostas para os fitoterápicos serem dispensados pelo SUS, no entanto, só foram retomadas depois que o Ministério da Saúde introduziu a fitoterapia nas práticas integrativas de medicina complementares, no ano passado. ''Agora espera-se que o Estado dê continuidade. É uma política complexa, mas importante por envolver várias cadeias sendo desenvolvidas em conjunto'', destaca Rosângela.

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