O governo do Estado divulgou um novo boletim da dengue ontem e confirmou 1.089 casos da doença entre agosto e a primeira quinzena de dezembro, sendo que a maioria dos casos confirmados está concentrado nas regiões Norte, Noroeste, Oeste e Sudoeste. A cidade com maior número de casos confirmados é Paranaguá, no litoral, com 294 ocorrências nos últimos três meses. Além disso, os municípios de Santa Isabel do Ivaí, Guaraci e Munhoz de Mello já estão em situação de epidemia confirmadas. De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), 37 municípios apresentam índices de infestação superiores a 4% com alto risco de epidemia, entre elas, Ibiporã, Assaí, Campo Mourão, Califórnia, Borrazópolis, Porecatu, Jacarezinho, Kaloré, Londrina, Marialva, Paiçandu, Guairaçá, Siqueira Campos, Medianeira, Goioerê, Guaíra e Joaquim Távora.
A chefe do Centro Estadual de Vigilância Ambiental, Ivana Belmonte, lembrou que o boletim anterior, divulgado na semana passada, apresentava 754 novos casos no Paraná. Ou seja, nos últimos sete dias, mais 335 casos foram confirmados pelo Laboratório Central do Estado (Lacen). "O clima chuvoso com temperaturas altas próximo ao início do verão é um dos fatores que contribui para a proliferação. Vivemos uma tríplice ameaça com a zika vírus e a febre chikungunya. A única forma de combate, considerada a mais eficaz, é o cuidado diário para eliminação dos criadouros", ressalta.
Segundo Ivana, outras 125 cidades paranaenses apresentam risco médio de infestação com índices entre 1% e 3,99%. A situação de baixo risco foi confirmada em 84 municípios. "Mais de 50 cidades do Estado não informaram os dados da última semana, o que também é considerado um risco, pois acompanhamento é muito importante para evitar a epidemia", acrescenta.
O governo estadual também anunciou ontem o investimento extra de R$ 10 milhões para o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika vírus e febre chikungunya. As 299 prefeituras do Paraná consideradas infestadas pelo mosquito foram contempladas com recursos entre R$ 8 mil e R$ 400 mil, dependendo do porte do município. Os recursos estaduais podem ser aplicados na contratação temporária de agentes de combate a endemias, confecção e reprodução de material educativo, manutenção de veículos e equipamentos utilizados nas ações, além de locação de aparelhos e pagamento de despesas, como combustíveis.

LONDRINA

O secretário de Saúde de Londrina, Gilberto Martin, informou que o recurso de R$ 400 mil destinado ao município será utilizado para pagamento de parte dos 120 agentes de endemias que serão contratados em regime de urgência para intensificar o trabalho de vistorias e limpezas de imóveis e terrenos na luta contra os criadouros do mosquito Aedes aegypti. Mais de 5 mil inscrições foram realizadas e o teste seletivo será realizado no próximo domingo. "O resultado já deve ser divulgado no dia 30 para que os selecionados estejam nas ruas até o dia 15 de janeiro. Além disso, fiscais sanitários monitoram pontos estratégicos e continuamos com o trabalho de educação, pois a participação dos moradores é fundamental", frisa.
Martin lembrou que o índice de proliferação do mosquito em Londrina é de 7,9%, muito acima do 1% recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). "Mais de 10 mil notificações e cerca de 2,8 mil casos confirmados até o início de dezembro. Em 2015, Londrina é o município com mais casos de dengue no Paraná", informa. Ele também alertou para o risco de epidemia de dengue hemorrágica devido ao histórico da cidade, que registrou 24 mil casos nos últimos 15 anos. "Esse número pode ser ainda maior, já que a cada caso confirmado, cinco não foram notificados", acrescenta.

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