Curitiba - Depois de dois dias de filmagens intensas, em meados de janeiro, a poetisa Helena Kolody pediu para ir ao seu quarto, descansar. ''Não estou cansada das filmagens. É que meus 91 anos estão começando a pesar'', brincou. O bom humor, que tomava conta de uma das mais conceituadas escritoras do Paraná naquele dia, ontem deu lugar à tristeza entre os amantes da poesia. A poetisa Helena Kolody não resistiu a uma arritmia cardíaca e morreu na noite de sábado.
Helena estava internada desde quinta-feira no Hospital de Caridade Santa Casa de Curitiba com uma suspeita de trombose na perna. Na tarde de sábado, desenvolveu um quadro de arritmia cardíaca, que persistiu até a noite, quando morreu. Em um mês e meio, esta foi a terceira vez que ela esteve internada no hospital para tratar de uma insuficiência cardíaca. Durante todo o dia de ontem, centenas de pessoas da área cultural da cidade passaram pela capela do Cemitério Municipal de Curitiba para fazer sua última homenagem à Helena Kolody. ''Ela era nossa poeta maior, que infelizmente se foi. Mas sua poesia sem sombra de dúvida vai continuar'', lamentou a secretária de Estado de Cultura Vera Mussi.
Durante quase todo o velório, sua irmã Olga Kolody permaneceu ao lado de Helena. As duas dividiam um apartamento na Praça Rui Barbosa, no Centro de Curitiba. Filha primogênita de imigrantes ucranianos, Helena nasceu em Cruz Machado (45 km ao norte de União da Vitória), em 12 de outubro de 1912. Adolescente, veio morar em Curitiba.
O gosto pelos livros, começou cedo. Fez magistério e foi professora do Instituto de Educação, em Curitiba, por 23 anos. Seu primeiro livro, ''Paisagem Interior'' foi publicado em 1941, quando tinha 16 anos. Elogiada pelos poemas curtos, começou a fazer minipoemas. Foi também pioneira no uso da métrica do haicai no Brasil. Foram dezenas de livros de poesia, com admiradores de todo Brasil. Um deles, o poeta Carlos Drummond de Andrade, já falecido, chegou a afirmar que Helena ''dominava a arte de exprimir o máximo no mínimo, sem perder sensibilidade''.
Em 1991, ganhou a 28 cadeira da Academia Paranaense de Letras. Em 1992, ao completar 80 anos, foi homenageda pelo cineasta Sílvio Back com o filme ''A Babel de Luz''. A vida de Helena, agora, é mais uma vez tema de filme. O documentário de média-metragem ''Helena de Curitiba'', com roteiro e direção da cineasta Josina Melo deve estrear em 8 de Março, Dia da Mulher.

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