Londrina - A sensação de insegurança que os paranaenses enfrentam diariamente não pode ser mais vinculada apenas à percepção. Números divulgados pelo governo do Estado esta semana, referentes ao balanço dos 100 dias de mandato, comprovam que há muito o que ser feito, principalmente em relação ao combate à violência. Dados da pesquisa, repassados pelo Ministério da Justiça, revelaram que o número de homicídios no Paraná foi proporcionalmente o dobro do Estado do Rio de Janeiro e o triplo do Estado de São Paulo de 1997 a 2007.
A cada 100 mil habitantes, o Paraná registrou a média de 32 homicídios na década em questão. Somente na cidade de Curitiba foram 40 homícidios. O número sobe para 62 na Região Metropolitana da capital paranaense. Muito acima da média do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro que marcaram 25, 18,6 e 34,2 homicídios, respectivamente. Outro dado preocupante é com relação à diminuição do contingente militar nos últimos dez anos. Enquanto houve um aumento de mais de 800 mil habitantes no Paraná, o número de policiais militares caiu em 1,7 mil, 10% a menos. A queda da quantidade de policiais civis, apesar de ser menor, também é representativa. De 3,9 mil em 2000 para 3,7 mil em 2010.
No mesmo balanço, foi divulgado ainda que 40 delegacias em todo o Estado estão interditadas por ordem judicial por causa da superlotação carcerária. Além disso, há um déficit de 1,5 mil vagas nos presídios femininos, já que o sistema tem capacidade para abrigar apenas 474 mulheres. Como se não fosse o bastante, mais de mil condenados em regime semiaberto estão nas penitenciárias por falta de vagas nas colônias agrícolas ou industriais. Somado a isso, destacam-se o sucateamento da frota de veículos e falta de tecnologia embarcada.
Professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Bodê, que coordena vários grupos de estudo sobre a violência, afirma que o resultado da pesquisa certamente não aconteceu nos últimos três meses, mas é reflexo de anos anteriores. ''E os resultados de combate também não vão aparecer em três meses'', afirma. Para ele, a violência no Estado está vinculada principalmente à proximidade com a região de fronteira. ''Isso facilita as atividades criminosas, como armamento ilícito e tráfico de drogas'', acrescenta.

mockup