Paraná lidera região Sul em mortalidade materna
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quarta-feira, 28 de maio de 2003
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná é o estado da Região Sul do Brasil que tem o maior índice de mortalidade materna. Para cada 100 mil nascidos vivos, 65 mães morrem. O índice admitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 20 mortes por até 100 mil nascidos vivos. Em todo o Estado, em 2002, 94 mulheres morreram durante o parto ou por complicações surgidas no trabalho de parto. Só em Curitiba foram seis óbitos. Na Região Metropolitana de Curitiba o número de óbitos chegou a 17.
Para discutir formas de reduzir estes índices e marcar o Dia de Combate à Mortalidade Materna, começa hoje em Curitiba o VI Seminário da Qualidade da Assistência ao Parto. Durante dois dias enfermeiras, médicos, parteiras e representantes de órgãos públicos de saúde vão debater temas como os desafios éticos da equipe obstétrica, a humanização do parto e as prioridades nas estratégias de redução da mortalidade materna.
A coordenadora do evento, enfermeira Alaerte Leandro Martins, acredita que para reverter os números alarmantes de mortalidade materna no Paraná, é necessário resgatar a naturalidade do parto. ''Numa cesariana, existem de sete a dez vezes mais riscos para a parturiente'', salienta. Segundo ela, hoje a tendência mundial é de desinstitucionalizar o parto, resgatando as casas de parto, em que as gestantes têm acompanhamento para dar à luz num processo natural.
''Por isso é importante treinarmos as parteiras domiciliares, as auxiliares de enfermagem e as próprias enfermeiras, porque muitas vezes são elas que estão ao lado da gestante na hora do nascimento do bebê'', destaca. Alaerte cita um estudo feito no Paraná, que comprava que 60% dos partos normais feitos em hospitais foram acompanhados por enfermeiras ou axiliares. ''Muitas vezes quando o médico chega no hospital o parto já acabou. Quem acaba acompanhando todo o processo é a enfermeira e a auxiliar de enfermagem'', destaca.
Ontem cerca de 30 parteiras que atuam em municípios da Região Metropolitana de Curitiba participaram de uma oficina onde debateram questões que fazem parte do seu dia-a-dia, como os preconceitos que enfrentam e as dificuldades no momento de identificar uma parturiente de risco.


