Paraná lidera mortes de crianças no Sul
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sexta-feira, 27 de maio de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Paraná corre atrás do prejuízo para se livrar de um incômodo título: é o Estado da região Sul do Brasil onde proporcionalmente morrem mais crianças com até um ano de idade. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2003 as mortes de pessoas nesta faixa etária representaram 4,4% do total de óbitos registrados no Paraná. Em Santa Catarina, este índice foi de 3,8%, e no Rio Grande do Sul, de 3,3%. Em todo o Brasil, mortes de crianças de até um ano representaram 4,5% dos falecimentos.
Em 2003, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, o índice de mortalidade infantil (termo usado para descrever mortes de crianças com até um ano de idade) no Paraná foi de 16,4 para cada mil nascimentos. Trata-se de um número inferior à marca nacional - em 2003, de acordo com o IBGE, o índice no País foi de 27,5 - e que vem diminuindo ano a ano, mas os próprios representantes do governo estadual reconhecem que é necessário atingir patamares bem menores.
O diretor de sistemas da Secretaria de Saúde, Gilberto Martin, defende que desde o início de 2003 foram investidos no Estado aproximadamente R$ 7 milhões em estrutura para atendimento de gestações de alto risco em hospitais públicos e filantrópicos. ''O número de estabelecimentos que atendem estes casos aumentou de 12 para 40'', alega o diretor.
Outras ações foram o aumento do número de leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) neonatais (30 a mais nos últimos anos) e o incremento do Programa Saúde da Família. ''A idéia é realizar ao menos seis consultas em cada gestação'', diz Martin.
Em Curitiba, a Secretaria Municipal de Saúde estabeleceu a meta de reduzir para menos de 10 o número de mortes de crianças com até um ano para cada mil nascimentos. No ano passado, o índice registrado foi de 11,2.
''Trabalhamos com os programas Mãe Curitibana, através do qual realizamos atendimento desde o planejamento familiar até a assistência ao recém-nascido, e Pacto Pela Vida, que tem como um de seus objetivos reduzir a mortalidade materna e infantil. Dentro dessas estratégias, buscamos ampliar a rede de UTIs neonatais e as unidades de cuidados intermediários'', explica Eliane Chomatas, diretora do Centro de Informações em Saúde da secretaria.
A enfermeira Sônia Scharam, da Pastoral da Criança, acredita que a única forma de reduzir a mortalidade infantil é integrar a ajuda comunitária e os serviços públicos de saúde. ''A maioria das mortes acontece nos primeiros dias de vida e poderia ser evitada com acompanhamento pré-natal eficiente. Em outros casos, os falecimentos decorrem de situações como diarréia e pneumonia e também poderiam ser prevenidos'', argumenta ela.


