Paraná lidera exclusão escolar no Sul
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de dezembro de 2003
Candice Dequech<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná é o estado do Sul do País com o maior número de crianças em idade escolar fora das salas de aula, com cerca de 64,5 mil crianças (ver quadro ao lado). O número equivale a 4% do total da população de crianças do Estado. O Paraná tem aproximadamente 1,5 milhão de crianças.
No cenário nacional, o Paraná ocupa o quarto lugar no ranking dos estados com crianças fora das escolas. Está atrás do Distrito Federal, com 2,3% de suas crianças fora da escola; Rio Grande do Sul, com 2,7%; e Santa Catarina, com 3,4%. O Sul está em segundo lugar no ranking das regiões, com 8,8% de crianças fora da escola, perdendo para o Centro-Oeste, com índice de exclusão educacional de 5,5%. Os dados são do ''Mapa da Exclusão'', apresentado na última quarta-feira pelo ministro da Educação, Cristóvam Buarque, e pelo secretário de Inclusão Educacional do MEC, Osvaldo Russo.
Com base no estudo, o MEC, através da Secretaria de Inclusão Educacional (Secrie), lançou, junto com o mapa, o programa ''Escola de Todos'', que deverá ser posto em prática já no início de 2004. A primeira etapa do programa é o cadastramento de crianças afastadas das escolas já realizada , como parte do projeto-piloto, no município de Oboró, em Pernambuco. Os próximos cadastramentos deverão ocorrer a partir do ano que vem. Segundo a diretora de programas da Secrie, Magdalena de Queiróz, a secretaria já recebeu sete pedidos de cadastramento.
A princípio, terão prioridade para o cadastramento os municípios de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), os 100 municípios que integram o Fome Zero e os 35 que aderiram ao programa Escola Ideal. Mas, segundo Magdalena, todos aqueles que solicitarem o cadastramento serão atendidos. A intenção do MEC é cadastrar cerca de 1,5 milhão de crianças de sete a 14 anos que estão fora da escola. Esse número representa 5,5% do contingente nacional com idade para frequentar o ensino fundamental. O cadastramento deve ser feito em uma parceria entre a Secrie e as prefeituras.
Na continuidade, o MEC pretende desenvolver ações que incentivem a permanência e a matrícula de alunos nas escolas. ''Em Oboró, detectamos que a maior parte dos alunos era evadida, ou seja, já havia se matriculado'', informou Magdalena. A Secrie pretende desenvolver atividades culturais, esportivas, de acompanhamento e reforço escolar e também atividades artísticas para incentivar a permanência dos alunos nas escolas. As ações devem acontecer dentro das escolas e em Organizações Não-Governamentais (ONG's) parceiras. ''As famílias de crianças cadastradas também devem ser cadastradas no programa Bolsa Família, caso ainda não estejam'', disse Magdalena.
Cerca de 25 mil pessoas, que estão sendo treinadas pela Secrie, devem ir de casa em casa para identificar as crianças. O trabalho deve contar com a colaboração de agentes de saúde e deve ocorrer, nos municípios prioritários, até março do ano que vem.


