Curitiba- Mesmo tendo registrado uma queda de 32,4% no número de ocupações de terra -25, no ano passado, contra 37, em 2005-, o Paraná ainda é um dos estados brasileiros onde mais acontecem conflitos no campo. Foram 76 ocorrências, em 2006, envolvendo 7.607 famílias. Nesse total, estão somadas ocupações, acampamentos e situações de uso de força contra ocupação e posse. Foi o que revelou o levantamento feito pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgado, ontem, em Curitiba. Em todo o País, foram registrados 1.212 conflitos por terra, sendo que, destes, 384 foram ocupações: -12,13% em relação a 2005.
De acordo com o secretário-executivo da CPT no Paraná, Rogério Nunes, o que chamou a atenção nesse levantamento foi o percentual de ocorrências envolvendo comunidades tradicionais - indígenas e quilombolas: cerca de 20% do total de conflitos. No Paraná, segundo a CPT, foram 13 ocorrências, na região Centro-Sul, onde estão as comunidades de faxinais e onde se concentra, principalmente, a atividade madeireira. ''Essas comunidades vêm sendo pressionadas a abandonarem suas terras por conta da expansão do agronegócio'', afirmou.
Apesar de ter registrado o maior número de acampamentos de trabalhadores rurais sem-terra (13), somando 1.225 famílias, o relatório da CPT mostra que esse tipo de ação vem dimuindo no Paraná. A avaliação do secretário-executivo da CPT é de que os movimentos sociais estão desestimulados a se mobilizarem diante da não efetivação das políticas de reforma agrária no País e no Estado.
Segundo o bispo Dom Ladislau Biernaski, representante episcopal da CPT, pouco menos de 700 famílias foram assentadas no Paraná, em 2006, enquanto o previsto era de 2,2 mil famílias. ''O que está sendo feito é apenas uma descompressão para evitar maiores conflitos'', ponderou. Para ele, a questão da reforma agrária no Brasil só se resolveria com a adoção de lei instituindo módulo máximo de terra.
Outro aspecto que chamou a atenção da CPT foi o aumento nos conflitos por água no Brasil. Foram 45, em 2006, sendo que desse total, seis aconteceram no Paraná, envolvendo 1.773 famílias. Nessa avaliação, entram os impasses quanto à construção de hidrelétricas, como a de Mauá, no Rio Tibagi, por exemplo.

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