Paraná lidera conflitos agrários no Sul
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quarta-feira, 03 de junho de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná é o estado da região Sul que registrou o maior número de conflitos agrários no ano passado. Comparando com o resto do Brasil, os 54 conflitos no campo registrados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Paraná em 2008 colocam o estado em sétimo lugar, atrás do Norte e Nordeste e de São Paulo. O número de ocupações vem caindo nos últimos três anos: foram 14 ao longo do ano, colocando o estado na sexta colocação, atrás apenas de Pernambuco, São Paulo, Bahia, Alagoas e Paraíba.
No total de manifestações, o Paraná é o estado com maior número de registros. Foram 73 mobilizações de trabalhadores envolvendo mais de 30 mil pessoas, segundo a CPT.
Sobre as relações de trabalho no campo, o relatório organizado anualmente pela comissão mostra um crescimento de 200% no total de trabalhadores libertados de uma situação de escravidão, em comparação com 2007. Em 13 casos registrados no Paraná no ano passado, 391 pessoas foram libertadas. Para o presidente nacional da CPT, Dom Ladislau Biernaski, houve progresso no combate à prática em razão da grande repercussão internacional que incentivou um maior trabalho móvel da polícia. Mas a própria existência de trabalho escravo nos dias de hoje depõe contra a democracia brasileira, pondera.
Os dados são coletados de duas fontes: ou por meio de denúncias feitas à comissão e verificadas no local por agentes pastorais ou informações veiculadas pela imprensa e outros canais de divulgação. Foi apurado que 33 trabalhadores foram presos em 2008 em mobilizações ou conflitos de terra. No ano anterior teriam sido apenas 11. A CPT considera o aumento de prisões como uma estratégia montada para reprimir e criminalizar os movimentos organizados pela causa.
Rogério Nunes da Silva, membro da coordenação estadual da CPT, chamou a atenção para números que, segundo ele, representam o retorno de milícias armadas no campo. Conforme o relatório, 855 famílias foram ameaçadas e intimidadas por grupos armados e seis trabalhadores foram vítimas de tentativa de assassinato.
Diminuiu o número de conflitos, mas não a intensidade. Muitas das situações já tinham sido alertadas pelas associações de direitos humanos ao poder público, que continua agindo tardiamente. Temos certeza que a impunidade, nesse casos, é o alicerce para o conflito armado no campo do Paraná, diz Silva.
Esses grupos defendem o status quo da situação agrária no Brasil. Defendem os grandes proprietários. No Brasil, 2% da população concentra mais de 50% das terras. Os conflitos não vão acabar enquanto pessoas que precisam trabalhar na terra não têm acesso à terra, afirma Dom Ladislau, defendendo que grande parte da solução para o problema do desemprego está no campo.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública não retornou a
ligação.


