Curitiba - Apesar da queda no ranking do analfabetismo nos últimos dez anos, o Paraná segue com o maior número de pessoas que não sabem ler nem escrever em comparação com os outros Estados do Sul do País. A Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD), referente a 2011, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mostra que 5,29% da população paranaense com 15 anos são analfabetos, contra 7% de dez anos antes.
O Paraná aparece atrás da média da Região Sul (4,22%), de Santa Catarina (3,36%) e do Rio Grande do Sul (3,67%). Segundo a Secretaria de Estado da Educação, o problema é maior nas regiões rurais do Estado.
A diarista Maria Carmem Gonçalves Isidoro, de 60 anos, é exemplo de moradora da zona rural e que deixou a condição de iletrada. Natural de Figueira (norte pioneiro), e moradora de Curitiba, ela recebeu em 2012 o certificado de formação do programa ''Alfabetizando com Saúde'', da prefeitura da Capital. Ela conta que decidiu aprender a ler e escrever por causa da dificuldade de lidar com contas da casa. ''Depois que meu marido morreu, eu tive que cuidar dos documentos e não entendia nada.''
Quando morava no Norte Pioneiro, Maria frequentou a escola na infância, mas as dificuldades de morar na zona rural por várias vezes a fizeram abandonar os estudos. ''Depois do meu casamento foi mais difícil. Eu tinha que cuidar dos filhos, da casa e não tinha tempo.''
O caso da diarista não é isolado. Segundo a professora do Departamento de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Maria Aparecida Zanetti, o Paraná tem uma dívida com a população do campo. ''As escolas se concentraram nos centros urbanos. Para diminuir o analfabetismo, o atendimento da educação tem que se capilarizar no interior'', aponta.
Entretanto, a professora expõe outro problema na educação: o despreparo dos professores. Segundo ela, o método de ensino muitas vezes não é adequado para ensinar jovens, adultos e idosos, pois, no Paraná, faltam cursos de pedagogia com aulas específicas para a educação de jovens e adultos. ''Os professores trabalham o aluno como criança grande, o que é inadequado.''
A agente comunitária Odila Zocante da Silva, que foi professora de Maria Carmen, diz que acompanha de perto os alunos e tenta estimulá-los a continuarem na escola. ''Eles precisam do estudo, não podem parar no meio do caminho'', destaca.
Erradicação
O governo do Estado mantém o programa ''Paraná Alfabetizado'' para reduzir o analfabetismo. Segundo o técnico pedagógico da Seed José Carlos de Oliveira, a principal dificuldade nas regiões rurais é reunir turmas.
No Paraná Alfabetizado, o governo incentiva a formação de educadores, que não precisam ter o curso de pedagogia, para levarem conhecimento e reunirem turmas. Mesmo assim, o técnico diz que há dificuldade de fazer adultos e idosos voltarem a estudar. ''O alfabetizador tem que montar a turma e convencer os alunos, mas muitos não querem continuar a estudar.''

Imagem ilustrativa da imagem Paraná lidera analfabetismo no Sul
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