Paraná lança telefone para 'narcodenúncias'
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terça-feira, 17 de junho de 2003
Candice Dequech<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um novo serviço telefônico, similar ao 190 da Polícia Militar (PM), vai receber denúncias sobre o tráfico de drogas no Paraná. O projeto, batizado de 161 Narcodenúncia, foi lançado ontem à tarde no Plenarinho da Assembléia Legislativa, em Curitiba. O projeto é resultado de uma parceria entre as secretarias de Estado de Segurança Pública, de Justiça e Cidadania. Estão atuando as polícias Civil, Militar e Federal. O principal objetivo do projeto, segundo o secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari, é combater o crime organizado no Estado.
Estavam presentes também o comandante geral da PM, coronel David Pancotti, o delegado geral da Polícia Civil, Adauto Abreu de Oliveira, o secretário de Justiça, Aldo Parzianelo, e o coordenador do 161 Narcodenúncia, o major Jorge Costa Filho. Segundo Parzianelo, a proposta pode ajudar no mapeamento dos principais pontos de tráfico de drogas do Estado. De acordo com Delazari, somente neste ano o Paraná já apreendeu cerca de 20 mil quilos de maconha, 200 quilos de cocaína e 500 quilos de crack, a mesma quantidade apreendida durante todo o ano de 2002.
As equipes de atendimento são formadas por seis atendentes em cada turno. ''Num primeiro momento estará trabalhando apenas a Polícia Militar, mas, na medida em que a demanda for aumentando, nós pretendemos contratar mais pessoas'', contou o secretário. São, no total, seis regionais de atendimento distribuídas pelo Estado, mas que devem atender todos os 399 municípios. Elas estão localizadas em Curitiba, Ponta Grossa, Cascavel, Londrina, Maringá e Pato Branco.
A denúncia será recebida pela PM, que vai encaminhá-la a equipes que registrarão as informações em um banco de dados. ''Assim será possível registrar dados como o perfil do traficante, o endereço onde foi notificado o fato e, se não o prendermos em flagrante, no dia em que foi feita a denúncia poderemos cruzar informações em uma próxima denúncia'', informou o coordenador do projeto. Jorge Costa Filho acredita que o novo serviço telefônico deve ser bastante efetivo por preservar o anonimato.
De acordo com Delazari, cerca de 40% das ligações recebidas pelo serviço telefônico 190, da PM, são trotes, 30% das ligações pedem orientação sobre outros serviços e apenas os 30% restantes são denúncias atendidas. O major Jorge Costa Filho acredita que o número de denúncias deve ser bem superior ao número registrado pela PM, pois o denunciante terá a completa segurança de que a sua identidade será mantida sob sigilo.


