Paraná já descartou nove suspeitas de microcefalia relacionadas ao zika
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
O Paraná descartou o nono caso suspeito de microcefalia relacionado ao zika vírus que estava em investigação no Estado. A exclusão foi confirmada na terça-feira com a divulgação do último informe sobre a situação da dengue, chikungunya e zika vírus no Paraná, com dados de 27 de julho de 2015 a 31 de janeiro de 2016.
Na semana passada, o Grupo Técnico de Microcefalia da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) já havia confirmado que oito registros de malformação em bebês não tinham relação com a infecção pelo zika. Desde dezembro de 2015, foram notificados dez casos suspeitos de microcefalia em sete cidades do Paraná. Oito deles foram descartados por não se enquadrarem nos critérios de microcefalia estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Apesar das análises de exames finais das amostras coletadas das mães e bebês dos outros dois casos apontarem resultados negativos para a presença do zika vírus, a secretaria ainda aguarda a checagem dos exames feitos no tecido placentário de uma das suspeitas.
"Uma criança nasceu com deformação craniana. É um caso de hidrocefalia, que não tem nada a ver com microcefalia. A criança já está em alta na residência. O problema dela foi resolvido com cirurgia. Foram feitos exames da criança e da placenta e deram negativo", explica a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesa, Cleide Oliveira.
A segunda criança, por sua vez, ainda está em investigação. "Todos os exames já deram negativo, mas o que não ficou concluído pela Fiocruz foram os exames da mãe, mas é quase certo que o caso também seja descartado", projeta.
Sobre a suspeita de que o zika vírus tenha sido transmitido por relação sexual nos Estados Unidos, ela destacou que é uma suspeita até o momento. "Ainda não tem comprovação científica. Mas a camisinha deve ser utilizada pelas pessoas, independentemente se o parceiro é eventual ou não, pois além da gravidez, a camisinha previne a transmissão de doenças como a aids e a hepatite B", orienta.
DENGUE
No informe técnico, dos 26.221 casos notificados de dengue, o Paraná apresenta 3.444 casos confirmados de dengue. Desses 3.102 eram autóctones (contraídos localmente) e 342 eram importados. Os casos estão distribuídos em 168 dos 324 municípios em que foram registradas as notificações.
Comparado ao boletim da última semana, houve um aumento de 28% de casos no Estado. Apesar desse aumento, o número de municípios em epidemia se manteve em 11. Foz do Iguaçu apresentou o maior aumento no número de casos autóctones, ou seja, contraídos dentro do próprio município. Em uma semana, Foz passou de 385 casos de dengue para 562. O aumento significativo fez com que a cidade decretasse situação de urgência. Os municípios com maior número de casos confirmados no Estado são Paranaguá (931), Foz do Iguaçu (657) e Londrina (441).
Cinco municípios da região metropolitana de Londrina estão entre os que mais apresentam maior incidência da doença: Assaí, Jataizinho, Ibiporã, Porecatu e Londrina.
A incidência no Estado é de 27,79 casos por 100 mil habitantes (3.102/10.997.462 hab.), considerada baixa (abaixo de 100 casos/100 mil habitantes) pelo Ministério da Saúde.
O governo do Paraná, em parceria com as prefeituras e a sociedade civil organizada, promoverá no sábado de Carnaval uma grande mobilização para convocar a população a fazer a sua parte no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
A ideia é que os cidadãos vistoriem seus espaços e eliminem todo recipiente que possa acumular água e se tornar um criadouro do mosquito. A ação deverá ser feita simultaneamente, às 10 horas, em todas as residências e estabelecimentos comerciais de todo o Paraná. "É um mosquito que interrompe vida e esperança de uma geração saudável. É preciso que haja o compromisso individual e cada um assuma sua responsabilidade em eliminar criadouros para interromper a cadeia de multiplicação do mosquito", conclui Cleide.


