São Paulo, 24 (AE) - O Paraná deve começar a operar até julho deste ano 13 unidades de recebimento e triagem de embalagens de agrotóxicos. A instalação das unidades faz parte do Programa Terra Limpa, projeto da Secretaria de Estado do Meio Ambiente em conjunto com a Associação Nacional de Defesa Vegetal
cujo objetivo é evitar que as embalagens de agrotóxicos contaminem o ambiente. A primeira fase do programa entrou em operação no ano passado, com duas unidades-piloto de recebimento de embalagens nas cidades de Palotina e Santa Terezinha do Itaipu. A intenção é atingir cerca de 60 unidades em todo o Estado em no máximo dois anos, segundo o coordenador do programa
o engenheiro agrônomo Rui Leão Mueller, da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
De acordo com o Programa Terra Limpa, as embalagens de agrotóxicos devem passar pelo processo de Tríplice Lavagem - lavagem por no mínimo três vezes em água limpa, depois que o produto é totalmente utilizado. A água da lavagem deve ser entornada no próprio tanque do pulverizador usado para a aplicação, de maneira que haja aproveitamento total do defensivo.
Segundo os órgãos envolvidos no programa, o processo de Tríplice Lavagem, aprovado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, reduz a contaminação da embalagem para níveis mínimos. Dessa forma, é possível fazer a reciclagem controlada da embalagem, que é o reaproveitamento de materiais como vidro, plástico e metal por determinadas indústrias.
De acordo com a Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), o Paraná gera por ano, em média, 14 milhões de unidades de embalagens contaminadas de agrotóxicos em diferentes graus de toxicidade, o equivalente a cerca 2.000 toneladas de embalagens por ano. A legislação que trata do uso de agrotóxicos prevê que as embalagens contaminadas devem ser enterradas, o que vem sendo praticado até agora. No entanto, segundo a Suderhsa, há uma saturação de propriedades em função dessa prática e terras agricultáveis foram inutilizadas, por isso os próprios agricultores estavam buscando uma solução para o problema.
De acordo com a Suderhsa, grande parte das embalagens de agrotóxicos é jogada dentro de rios, queimada a céu aberto, abandonada nas lavouras ou enterrada sem critério, recicladas sem controle ou até reutilizada para o acondicionamento de água e alimentos. Essas práticas contaminam, por exemplo, os lençóis freáticos, e podem colocar em risco a saúde da população. De acordo com Rui Mueller, os técnicos envolvidos no programa constataram ainda que parte dos agricultores vende embalagens de agrotóxicos para recicladoras clandestinas, que originalmente fazem a triagem de lixo urbano e não são autorizadas a receber resíduos de agrotóxicos.
Os 13 municípios paranaenses que terão unidades de recebimento de embalagens de agrotóxicos na primeira fase do Programa Terra Limpa são Cascavel, Colombo, Cornélio Procópio, Maringá, Morretes, Ponta Grossa, Prudentópolis, Renascença, São Mateus do Sul, Tuneiras do Oeste, Umuarama, além de Palotina e Santa Terezinha do Itaipu. A escolha dos municípios para instalação das unidades regionais, que estão sendo construídas com recursos do governo estadual, baseou-se em critérios como consumo de agrotóxico, tipos de cultura, área de plantio e número de produtores. A previsão é de que as 13 unidades irão atender a agricultores de 160 municípios paranaenses.
No início de maio, a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), que também participa do projeto Terra Limpa, começou o treinamento das equipes técnicas das cooperativas agropecuárias do Estado. A estimativa da Ocepar é de que as cooperativas são responsáveis pela venda de 60% dos agrotóxicos comercializados no Paraná. Nesta primeira fase, após passarem por treinamento, técnicos de 38 cooperativas devem treinar agricultores e outros técnicos sobre a forma correta de coleta, tríplice lavagem e destinação das embalagens de agrotóxicos.
O programa Terra Limpa prevê que as embalagens dos agrotóxicos devem ser coletadas nas propriedades agrícolas por caminhões e encaminhadas às unidades de recebimento e triagem. Depois são enviadas a indústrias licenciadas que fazem a reciclagem do material, como a Dinoplast para o plástico, Gerdau para os metais e Cisper para o vidro. A infra-estrutura para o recolhimento das embalagens é responsabilidade das prefeituras das cidades envolvidas no projeto.
Além da Andef, que participa do projeto nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, fazem parte do Terra Limpa a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná, a Emater, prefeituras municipais, Universidade Federal do Paraná e outros órgãos do governo. De acordo com o coordenador do Programa Terra Limpa, Rui Mueller, este é o primeiro projeto para recebimento de embalagens de agrotóxicos de abrangência estadual. Até hoje, segundo ele, só havia projetos pontuais em localidades nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.

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