Paraná ganha Museu do Holocausto
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Adriana De Cunto <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A exemplo do que já acontece em outros países, o Brasil também ganhará um Museu do Holocausto e a sede será em Curitiba, cidade que concentra a maior comunidade judaica do Paraná. A apresentação do local à imprensa aconteceu ontem de manhã, apesar da abertura ao público estar marcada para 12 de fevereiro do ano que vem.
O museu já está quase pronto e amanhã acontecerá a inauguração oficial. Na manhã de ontem, dezenas de operários trabalhavam nos últimos detalhes. A ideia nasceu há cerca de 10 anos, conta o presidente da Associação Casa de Cultura Beit Yaacov, o fundador de O Boticário, Miguel Krigsner. A iniciativa partiu dessa associação, com o apoio da comunidade judaica local, que reúne cerca de mil famílias. Ele está instalado junto ao complexo da nova Sinagoga Beit Yaacov, ao lado do Centro Israelita do Paraná e da Escola Israelita Salomão Guelmann.
Miguel Krigsner disse que a implantação do museu é um sonho antigo, lembrando que grande parte da família de seu pai foi assassinada pelos nazistas em território polonês. Ele comenta que a intenção do projeto não é fazer propaganda ou levantar questões políticas. ''A missão principal é trazer à luz um dos períodos mais tristes do século XX'', comentou.
E mais do que relembrar e preservar a história, o objetivo principal é contribuir para a educação, afirmam as profissionais responsáveis pela implantação do museu, Maria Eugênia dos Santos Teixeira Saturni, Tatiana Sampaio Ferraz e Denise Faiguenblum Hasbani. O local vai reunir documentos, peças históricas e fotografias, além de reservar um espaço para homenagear as vítimas e os sobreviventes do Holocausto. O acervo é composto por doações da própria comunidade, aquisições e comodatos com outras instituições e com museus internacionais dedicados ao tema.
O coordenador do Museu do Holocausto de Curitiba, Carlos Reiss, explicou que para compor o acervo foi feito um trabalho focado na busca de sobreviventes da perseguição por parte do regime nazista ou de seus colaboradores entre 1933 e 1945. A pesquisa apontou 82 sobreviventes no Paraná, sendo que 15 foram localizados. Essas famílias doaram certidões, documentos e fotos.
O acervo também conta com uma preciosidade histórica: um fragmento de Torá (livro sagrado), queimada em 1938 durante a ''A Noite dos Cristais'', quando sinagogas, lojas e casas de judeus foram destruídas pelos nazistas. Essa peça foi cedida pelo Yad Vashem, o Museu do Holocausto de Jerusalém.
Três períodos são destacados no museu de Curitiba: o Pré-Guerra, conhecido como vida plena judaica; a guerra, espaço que mostra os guetos, campos de concentração e a resistência; o Pós-Guerra tanto na Europa, com os campos de refugiados, quanto as rotas de imigração e a chegada ao Paraná. Os visitantes também contarão com computadores para consulta digital de documentos e arquivos de áudio e vídeo. A parte física do Museu do Holocausto de Curitiba custou aproximadamente R$ 1 milhão.
O Museu do Holocausto está localizado na Rua Coronel Agostinho de Macedo, 248, no bairro Bom Retiro. As visitas são gratuitas e aceitas somente com agendamento antecipado, a partir de 12 de fevereiro de 2012. Informações pelos fones (41) 3093-7462 e 3093-7461 ou pelo site www.museudoholocausto.org.br.


