Paraná ganha frente parlamentar para dívida pública
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sábado, 06 de dezembro de 2003
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Buscar alternativas para administrar melhor o pagamento da dívida pública brasileira, de forma que o governo federal não seja obrigado a reduzir investimentos nas áreas sociais para poder pagar seus débitos é um dos principais objetivos da Frente Parlamentar e Social de Acompanhamento da Dívida Pública, do Sistema Financeiro e da Política de Juros. Lançada em outubro, na Câmara Federal em Brasília, a frente foi estendida também ao Paraná, ontem, em solenidade realizada na Biblioteca Pública, em Curitiba.
Nacionalmente, a frente conta com a adesão de 70 deputados federais e 30 entidades representativas da sociedade civil. Recentemente, também foi lançada em Minas Gerais. A intenção, segundo a coordenadora nacional, deputada federal do Paraná Clair Martins (PT), é que o movimento alcance todos os estados. ''A dívida pública brasileira é um dos principais temas nacionais a serem debatidos, porque paralisa o Estado, impede a retomada do crescimento econômico e social, transferindo a principal das rendas públicas ao sistema financeiro nacional e internacional'', disse Clair.
A dívida pública, hoje, está próxima a R$ 1,3 trilhão. Só o pagamento dos juros previsto para 2003 é de R$ 179,5 bilhões. Para ter uma idéia do exercício orçamentário que o governo tem que fazer para cumprir esses compromissos, dos R$ 102 bilhões de juros que deveriam ter sido pagos até setembro deste ano, o governo quitou R$ 50 bilhões e ''rolou'' os R$ 52 bilhões restantes, pagos em títulos da dívida, que deverão ser recuperados posteriormente.
''Para cumprir esses compromissos, o governo vem reduzindo sua capacidade de intervir com políticas sociais, com a reforma agrária. As consequências são o desemprego e o assustador aumento da violência no Brasil'', explicou. Clair ressaltou que o comprometimento com a dívida está diretamente ligado à política de juros e aos ganhos do sistema financeiro, dois outros temas discutidos pela frente.
A política de juros altos, segundo a frente, também contribui para aumentar as diferenças sociais. ''Há um claro encolhimento do poder de compra dos assalariados, já estimado em 14,6 % este ano, reduzindo com isso o mercado interno. Como consequência há uma redução na produção industrial e no comércio interno, ou no mínimo uma estagnação'', explica. O único setor do País que ganha com os juros altos é o sistema financeiro. ''A lucratividade dos bancos é uma discrepância absurda. Enquanto o País todo está em crise, os bancos tiveram lucros extraordinários este ano'', disse.
Por isso, a frente acredita que a forma de administrar a dívida pública impactará diretamente sobre o projeto de mudanças ansiado pela população. ''Por isso esse debate é tão oportuno e importante. É preciso que a sociedade se aproprie da informação para que possa participar das decisões que venham a ser tomadas, já que dirão respeito diretamente ao seu futuro'', reforçou a deputada.


