Curitiba - O Paraná passou a contar oficialmente ontem com uma nova delegacia, a de furtos e roubos de cargas (DFRC), no bairro Campina do Siqueira, em Curitiba, a primeira especializada neste tipo de crime no Estado. Desmembrada da Delegacia de Estelionato (DEDC), também com sede na capital, a estrutura era uma reivindicação antiga do setor de transportes e já funcionava de maneira informal desde outubro de 2015, quando o governador Beto Richa (PSDB) assinou o decreto 2.569, prevendo a instalação.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Júlio Reis, uma parte do efetivo da DEDC foi deslocada para a DFRC, mas há a previsão de que outros policiais também venham a trabalhar na unidade, considerada "de vital importância". A ideia é ter capilaridade para agir em todas as regiões do Estado e até mesmo em parceria com outras unidades da federação, tanto na prevenção como na repressão. Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Pernambuco possuem delegacias especializadas semelhantes.
"No primeiro período do governo Richa, conseguimos uma forte redução no número de homicídios. E agora, no segundo, uma preocupação muito importante é com relação aos crimes contra o patrimônio", afirmou Reis. De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado (Setcepar), Gilberto Antônio Cantú, esse tipo de ocorrência tem crescido. "No Brasil, em 2014 tivemos mais de R$ 1 bilhão de prejuízo e mais de 15 mil casos", contou. Ele estima que, no Paraná, as perdas tenham ficado em torno de 4%, isto é, R$ 40.000. A região com maior incidência de desvios no Brasil é o Sudeste, que abrange 85%. "Temos que coibir para não deixar que migrem para cá". As cargas normalmente mais visadas são de medicamentos, pneus, cosméticos e alimentícios.
"O maior desafio vai ser identificar quadrilhas que não hajam eventualmente – e sim que sejam contumazes. Precisamos tirá-las de circulação e identificar todos os membros, de forma a reduzir os índices", explicou o delegado titular da DFRC, Edward Ferraz. Ele completou que a unidade buscará reprimir todas as situações relacionadas ao transporte e ao armazenamento, incluindo ainda furto, desvio e apropriação indébita. "O setor de inteligência da secretaria vai fazer uma análise estatística, para determinar os locais onde mais ocorre esse tipo de crime e o perfil, se houve violência ou não, antes de traçarmos as nossas estratégias."
Conforme o secretário da Segurança Pública e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita, desde outubro houve mais de 15 ações policiais específicas na área de desvio de carga. "Essa modalidade se reveste de todas as características do crime organizado. Combatendo o desvio de cargas, estamos também combatendo a corrupção, a receptação e o sequestro de funcionários e motoristas." Entre os resultados obtidos nos últimos três meses estão: a recuperação de produtos eletrônicos e móveis (avaliados em R$ 400 mil); de três toneladas de frango congelado; de uma carga de pneus, avaliada em R$ 500 mil; de uma de 50 toneladas de fertilizantes; e de outra de polietileno, estimada em R$ 200 mil. Cinco suspeitos de roubar carnes e cigarros também foram presos.

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