Paraná ganha centro para estudar câncer infantil
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segunda-feira, 13 de maio de 2002
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Descobrir caminhos que levem ao diagnóstico precoce e tratamento do câncer em crianças é o grande desafio do Centro de Genética Molecular e Pesquisa do Câncer em Crianças (Cegempac), inaugurado ontem em Curitiba. A princípio, o laboratório vai intensificar as pesquisas já realizadas por uma equipe de profissionais junto à Universidade Federal do Paraná (UFPR) sobre o tumor da córtex supra-adrenal de crianças (uma glândula localizada acima dos rins), que tem um índice de incidência de até 30 vezes mais no Paraná e sudoeste de São Paulo do que em outros locais do mundo.
Mas nós não vamos ter limite para as pesquisas em câncer, disse o médico Bonald C. Figueiredo, coordenador do centro. A intenção, de acordo com ele, é priorizar inicialmente os tipos de câncer que mais preocupam no Paraná. Uma das linhas de estudo, por exemplo, deve ser a investigação de diagnósticos e tratamentos para as leucemias em crianças.
O centro é uma das poucas unidades de pesquisa do câncer no Brasil. Ele começa a funcionar em junho, e pretende ser um centro de referência para a Região Sul. Seu diferencial é que trabalhará apenas em pesquisa sem atuação na área clínica e só em casos de câncer infantil. A criação do Cegempac é uma iniciativa conjunta da Associação Paranaense de Apoio à Criança com Neoplasia (Apacn), Hospital de Clínicas (HC) e do maior hospital de câncer infantil do mundo, o St. Jude Childrens Research Hospital, localizado em Menphis, nos Estados Unidos. No total, foram investidos R$ 1,3 milhão para a conclusão do Centro entre aquisição do imóvel, reformas e equipamentos.
Segundo o diretor do St. Jude, Raul Ribeiro, a idéia de construir um centro de pesquisa do câncer infantil através da tecnologia de genética molecular vem amadurecendo desde o início da década de 1990, quando o hospital americano e o HC começaram a realizar pesquisas conjuntas. No começo, 80% das crianças que vinham ao HC acabavam morrendo mais tarde porque faziam tratamento, mas voltavam para casa sem nenhum acompanhamento. Por isso, a primeira fase do nosso trabalho foi melhorar a sobrevida das crianças com câncer, conta. Hoje, pelo menos 70% das crianças com leucemia câncer mais comum são curadas. Pensando numa alternativa de trabalho conjunto entre o St. Jude e os pesquisadores de Curitiba, as entidades optaram por investir nas pesquisas sobre o carcinoma supra-adrenal, de forma a entender o porquê das alarmantes estatísticas da doença no Paraná e na região Sudoeste de São Paulo, quando nos Estados Unidos sua incidência é de apenas 0,2% dos casos de câncer infantil. Em St. Jude nós temos no máximo um caso por ano, disse Ribeiro.


