Curitiba- O Paraná é o único Estado da região Sul do Brasil que ainda não conseguiu eliminar a hanseníase, doença infecto-contagiosa que se manifesta por meio de lesões na pele. Além disso, há 5 anos, as cidades de Foz do Iguaçu, Londrina e Curitiba lideram a incidência de casos da doença no Paraná. Esses dados, divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde, recebem atenção especial esta semana, quando o governo do Paraná organiza uma campanha de divulgação dos principais sintomas da doença.
No caso de Foz do Iguaçu, a consultora do Ministério da Saúde (MS) para o Paraná, Maria Elizabet Lovera, acredita que a incidência acontece em função da proximidade com a fronteira do Paraguai. ''Mas, ainda este ano, faremos uma pesquisa para descobrir o motivo de tantos casos em Foz. Em seguida, partiremos para Londrina'', informou.
Conhecida popularmente como ''lepra'', a hanseníase ainda é motivo de preconceito, conforme lembrou a atriz Solange Couto, presente ontem no lançamento da campanha. ''Minha mãe, que é enfermeira, já teve a doença uns 10 anos atrás e tinha vergonha de contar para as pessoas. Mas a doença surge independente de grau de instrução, higiene, raça. Nos postos de saúde, as pessoas são recebidas com naturalidade'', disse. Em seguida, a atriz foi até a Boca Maldita (centro de Curitiba) distribuir informativos à população, junto com os voluntários do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN) e funcionários da 2 Regional da Saúde e do Centro Regional de Especialidades Metropolitano. A atleta Daiane dos Santos também participou do lançamento da campanha.
Sobre o tratamento da doença, que pode durar de 6 a 8 meses, a coordenadora estadual do Programa da Hanseníase, Nivera Stremel, lembra que os medicamentos são gratuitos e que ao surgir qualquer sintoma da doença o correto é procurar um posto da saúde.
O problema, no entanto, é que a maioria dos postos no Estado ainda não tem como fornecer diagnóstico e tratamento da doença, conforme informou a consultora do MS. ''O Sistema Único de Saúde disponibiliza medicamentos para qualquer posto. Mas o objetivo agora é disponibilizar outros serviços fundamentais'', explica.
De acordo com Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2005 a hanseníase deveria ter sido eliminada, tarefa não cumprida pelo Paraná, apesar de fazer parte da região brasileira onde a incidência de casos é menor. A meta a ser atingida para a eliminação da doença, segundo a OMS, é de um caso a cada 10 mil habitantes. No Paraná, o índice de 2005, de 1,3 casos a cada 10 mil habitantes, é inferior à proporção brasileira, de 2,77 casos, em 2003, ano da última pesquisa nacional.
Segundo Maria Lovera, não é possível erradicar a doença, já que ela não possui vacina, mas o objetivo da secretaria de Estado da Saúde é ''eliminar o problema como saúde pública, o que deverá acontecer em breve''.
Os últimos dados da OMS também colocam o Brasil como o segundo país com o maior número de casos da doença, perdendo apenas para a Índia. Dentre as regiões do país, a Norte lidera com 7,61 casos a cada 10 mil habitantes, seguida da Centro-Oeste (6,54), Nordeste (3,52), Sudeste (1,45) e Sul (0,84).

mockup