Curitiba- Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu são as três cidades do Paraná incluídas em uma lista de 206 municípios brasileiros, responsáveis por 72,4% dos casos de hanseníase no País e considerados prioritários pelo Ministério da Saúde (MS) para a erradicação da doença. O Brasil tem, hoje, uma prevalência de 1,71 caso da doença para cada 10 mil habitantes. A meta do MS, em compromisso assinado com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1991, é chegar ao final deste ano com menos de um caso por 10 mil habitantes.
''Se o Brasil atingir essa meta, isso significá a eliminação da hanseníase como problema de saúde pública do país'', diz a técnica Sandra Petrus, do Programa Nacional de Eliminação da Hanseníase.
O Paraná apresenta números menores do que a média nacional, com 1,42 caso por 10 mil habitantes. O índice, no entanto, é bem superior aos registrados em Santa Catarina, com prevalência de 0,27 caso para cada 10 mil habitantes e do Rio Grande do Sul, que tem o melhor desempenho do País, com 0,13 por 10 mil habitantes.
A realidade brasileira, de acordo com a técnica, é bastante diversa. A maior parte dos casos está na área do Amazonas legal. Mato Grosso é o estado com maior prevalência da doença, com 7,85 casos por 10 mil habitantes, seguido pelos estados do Pará e Maranhão.
Dados do MS mostram que, em 2004, 30.693 pessoas estavam em tratamento no País, sendo 1.427 no Paraná. No Mato Grosso, responsável pelo maior número de casos, 2.117 pessoas estavam em tratamento. Na outra ponta, Rio Grande do Sul apresentava apenas 140 pessoas em curso de tratamento.
Para atingir as metas junto à OMS, o ministério trabalha para aumentar a vigilância nesses 206 municípios considerados prioritários. Em Curitiba, iniciou ontem e encerra amanhã a 2Reunião Macrorregional Centro-Sul de Hanseníase, promovida pelo MS. O encontro conta com representantes dos municípios prioritários das regiões Sul, Sudoeste, de Goiás e Distrito Federal.
De acordo com Sandra Petrus, o maior objetivo do programa é alertar a população sobre a prevenção. ''É inaceitável que as pessoas adoeçam por um problema que tem controle, tem cura e tratamento'', diz. Ela ressalta, ainda, a necessidade de romper o estigma da doença. ''A hanseníase não faz cair pedaços do corpo como muitos pensam.''
Atualmente, o Brasil preside a Aliança Global de Eliminação da hanseníase, que reúne 12 países com maior número de casos. A ação faz parte da estratégia de impulso final para eliminação da hanseníase lançado em 2001 pelo Ministério da Saúde. A estratégia visa mobilizar as secretarias estaduais e municipais das cidades prioritárias para realização de campanhas de diagnóstico e tratamento, capacitação de pessoal, divulgação de informações sobre a doença, fornecimento de medicamentos e combate ao preconceito e a discriminação. Deste modo, o Brasil conseguiu reduzir em 80% os casos de hanseníase entre 1991 e 2001, passando de uma taxa de prevalência de 17/10 mil casos para 4/10 mil.

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