PANDEMIA -

Paraná está entre os 12 credenciados a testar vacina contra Covid-19

Estudo é feito por meio de convênio entre Instituto Butantan, Hospital de Clínicas e Universidade Federal do Paraná

Walkiria Vieira - Grupo Folha
Walkiria Vieira - Grupo Folha

Conciliar agilidade e segurança  é um dos desafios da médica e chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Sonia Mara Raboni. O Hospital de Clínicas da UFPR é uma das 12 instituições brasileiras que serão responsáveis pelos testes da fase 3, em humanos da CoronaVac, vacina produzida na China e que é uma das mais promissoras contra o novo coronavírus, em todo o mundo.

 

Inicialmente, a vacina contra Covid-19 será testada em 9 mil profissionais da saúde do País
Inicialmente, a vacina contra Covid-19 será testada em 9 mil profissionais da saúde do País | Miguel Schincariol/AFP
 


No Brasil, a pesquisa é coordenada pelo Instituto Butantan. O Butantan irá enviar ao HC as doses da vacina para a realização de testes clínicos em voluntários, com o objetivo de demonstrar sua eficácia e segurança. De acordo com Raboni, integrar o estudo só foi possível porque havia uma convênio prévio firmado com o Butantan. "Mas era para a testagem da vacina quadrivalente Influenza", explica.




"Diante da disseminação do Covid-19 e diante dessa possibilidade, começaram os trâmites da parte regulatória e estamos no estágio de preparação de toda a documentação para avaliação e extensão, pois de qualquer maneira há toda uma formalidade porque vamos contratar bolsistas e precisamos da avaliação institucional." Segundo a infectologista, 40 bolsistas foram escolhidos para atuar no estudo.  


Inicialmente, a vacina será testada em aproximadamente 9 mil profissionais da saúde do País que estão lidando diretamente com o enfrentamento à pandemia, com maior exposição ao coronavírus. A parceria internacional entre Brasil e China também prevê a troca de conhecimento e tecnologia para a produção em larga escala por meio do Instituto Butantan e Sinovac, empresa chinesa responsável pela pesquisa internacional. Para início dos testes, é necessária a liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).


Nas duas primeiras fases, o laboratório chinês testou a vacina em aproximadamente mil voluntários do país de origem. Aplicado em animais, o produto se mostrou muito promissor.


Segundo Sonia Raboni, 852 voluntários participarão do estudo de fase 3 no Hospital de Clínicas - uma parte recebe a vacina, outra parte, o placebo. O estudo randomizado tem como principal objetivo avaliar a eficácia e a segurança da vacina. "A participação dos voluntários é crucial para estudos clínicos como esse, pois colaboram para o conhecimento que será gerado. Eles serão acompanhados por 12 meses e só a partir de então vamos ter os resultados com todo o rigor científico necessário para saber se o tratamento é eficaz ou não."

 

Sobre a expectativa em torno da vacina, a infectologista que lidera as pesquisas reconhece que esse é um anseio mundial. "Existem 12 estudos clínicos em estágio mais avançado e no mundo inteiro e mais de 200 propostas. Sabemos que a prevenção é a melhor medida para controlar a doença. Ao mesmo tempo em que precisa ser o mais rápido possível, deve ser de altíssima confiabilidade para saber se vamos investir ou não nela", reflete. 


A vacina CoronaVac é o vírus inativado- já passou por fases 1 e 2, o que significa a produção de anticorpos, dosagem, segurança e segurança ampliada. "O início dos testes está previsto para agosto e a proposta é que até dezembro já tenhamos resultados preliminares sobre a resposta da vacinação. O grupo de monitoramento, do Butantan, realizará estudos concomitantes para avaliar os riscos e os benefícios da vacina em estudo." Mas a infectologista destaca que nunca se impõe um tempo para o resultado. "Historicamente, sabemos que se não conseguimos eliminar o vírus, podemos atingir o controle da doença e é o que estamos buscando nesse momento."


Raboni expõe ainda que, sem o suporte regulatório da superintendência e todo o trabalho da Procuradoria da Universidade, do ponto se vista legal, e todos os ritos cumpridos e prazos respeitados, esse estudo não seria possível. 




Centros de saúde em ação 

Além do Hospital de Clínicas da UFPR, outros 11 centros de saúde do Brasil auxiliarão a pesquisa, testando o produto em larga escala. No estado de São Paulo, participarão o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, o Hospital Israelita Albert Einstein, a Universidade Municipal de São Caetano do Sul, o Hospital das Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e o Centro de Saúde Escola da Faculdade de Medicina da USP, de Ribeirão Preto. Em outros estados, haverá a colaboração do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos da UFMG ( Universidade Federal de Minas Gerais) e do Hospital São Lucas da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio Grande do Sul, além do Hospital Universitário de Brasília, no Distrito Federal.

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