Curitiba- Até o final do ano, governo do Estado e municípios pretendem cadastrar, pelo menos, 100 mil paranaenses com idade igual ou superior a 15 anos, que não sabem ler e escrever, para inseri-los em um amplo programa de alfabetização. O número corresponde a pouco mais de 15% do total de analfabetos no Paraná. Segundo o Censo 2000, perto de 650 mil nunca frequentaram uma escola.
Em reunião realizada, ontem, na sede da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) foi constituído o Comitê Paranaense pela Alfabetização que reúne representantes do governo do Estado, municípios e da sociedade civil organizada. O grupo volta a se reunir amanhã para definir como será feito o cadastro. Ficou acertado, ontem, que o lançamento da campanha para o cadastramento dos analfabetos será no dia 10 de junho, data em que se comemora o Dia da Língua Portuguesa.
De acordo com o secretário de Estado da Educação, Maurício Requião, a idéia é criar um cadastro unificado para que ele possa ser usado posteriormente em programas sociais de outras áreas. A meta é que o governo do Estado consiga cadastrar 50 mil pessoas e a AMP outras 50 mil.
Com essa iniciativa, governo e municípios pretendem se habilitar a receber verbas do governo federal previstas no projeto ''Caminho para a Cidadania'', do Ministério da Educação (MEC). Segundo o secretário, o volume de recursos vai depender da demanda dos municípios. Está previsto o repasse de R$ 120,00 por alfabetizador e mais R$ 7,00 por alfabetizando.
As prefeituras têm prazo até a próxima sexta-feira para entregar seus projetos de alfabetização ao MEC. Os programas também servirão como contrapartida dos municípios nas obras financiadas pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano.
A AMP, segundo o presidente e prefeito de Barracão, Joarez Lima Henrichs (PFL), já cadastrou 17 mil analfabetos. A associação, lembrou ele, vem trabalhando em parceria com a União Nacional dos Dirigentes de Educação (Undime) no Paraná, desde 2001, e já assegurou R$ 6,8 milhões para serem aplicados este ano. O dinheiro está na conta da Fundação Rionegrense, já que o programa de alfabetização prevê o envolvimento de organizações não-governamentais (Ongs) e entidades da sociedade civil organizada. Para a primeira etapa (100 mil alfabetizandos) seriam necessários R$ 32 milhões.
Maurício Requião lembrou que, depois do cadastramento, o governo vai disponibilizar salas de aula e capacitar profissionais selecionados pelos municípios, ONGs ou outras entidades para o trabalho de alfabetização. A intenção é que o trabalho não se limite a alfabetização, mas que essas pessoas sejam depois inseridas em programas de educação jovens e adultos para a continuidade da escolarização.

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