Paraná em alerta contra incêndios florestais
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sexta-feira, 10 de setembro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A Defesa Civil Estadual está em alerta para combater as ocorrências de incêndio florestal. Como em quase todas as regiões do Paraná não chove há quase dois meses, a combinação baixa umidade relativa do ar e vegetação seca aumentam os riscos de incêndios. Segundo informações divulgadas pela Agência Estadual de Notícias (AEN), são registrados por dia cerca de 60 focos em áreas florestais no Estado. O período de alto risco se estende de julho a outubro e as regiões com maior incidência de queimadas são Vila Velha e Ilha Grande. Em Londrina, as estatísticas do Corpo de Bombeiros também indicam crescimento no número de incêndios florestais este ano.
O chefe operacional da Defesa Civil Estadual, tenente Gilson de Matos, revelou à AEN que nos últimos dez dias foram registrados incêndios florestais em vários pontos do Estado. Equipes do projeto estadual de prevenção e combate ''Mata Viva'', criado em maio deste ano, monitoram os parques nacionais de Vila Velha e Ilha Grande para prevenir e combater possíveis focos. Ele relembrou que os incêndios têm implicações ecológicas, sociais e econômicas. ''Além de destruírem casas, pastagens, plantações e linhas de transmissão de energia elétrica, a fumaça produzida por esses incêndios fecha aeroportos e causa acidentes nas estradas ao tirar a visibilidade dos motoristas'', exemplificou o tenente.
No Norte do Estado, a situação também é preocupante. Conforme o major Luis Mario Martins Moreira, do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros em Londrina, as ocorrências na área de atuação (63 municípios) aumentaram este ano em relação ao ano passado por causa do clima. ''Neste ano, a seca aconteceu mais tarde do que em 2003'', avaliou.
Segundo os dados dos Bombeiros, enquanto em julho deste ano foram registradas 29 ocorrências de incêndios em vegetação no mesmo mês do ano passado foram 119. A partir de agosto há uma inversão: foram registradas 210 neste ano contra 165 em 2003. Em setembro deste ano, os bombeiros elevaram o alerta: até o dia 8, houve o registo de 125 queimadas contra 156 em todo o mês de setembro de 2003.
O subcomandante do 3º Grupamento dos Bombeiros, major Dario Natan Bezerra, esclareceu que a baixa umidade do ar, temperaturas altas e a vegetação muito seca favorecem a propagação dos incêndios. Ele comentou que a maioria das queimadas tem causas humanas. Uma inocente queimada de folhas no fundo do quintal, por exemplo, pode ganhar proporções catastróficas se não for controlada e acompanhada de perto.
Ontem à tarde, a base dos bombeiros da Zona Norte precisou intervir em um incêndio florestal para que não atingisse uma plantação de trigo nos fundos do Conjunto Vivi Xavier. O agricultor José Céu percebeu a fumaça e acionou os bombeiros. ''Se atingisse a plantação a gente não apagava mais'', disse o agricultor, lembrando que há alguns dias o fogo atingiu uma outra plantação sua e queimou o equivalente a 10 sacas de trigo. Ele acredita que o fogo tenha sido provocado por adolescentes que circulam pela região atrás de frutas e para usar drogas.


