Curitiba- O Paraná é um dos sete estados que mais registram casos de assassinatos entre jovens. A informação faz parte do ''Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros'', divulgado ontem, em Brasília, pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). Segundo o estudo, que levantou o número de casos de violência entre 2002 e 2004 em todo o país, Foz do Iguaçu é a cidade com maior taxa de homicídios entre a população jovem. No mesmo ''ranking'', Londrina ficou com a 113º posição nacional, com uma média anual de 102 assassinatos para cada grupo de 100 mil jovens.
A pesquisa levou em conta os números do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. O SIM centraliza informações das certidões de óbito emitidas em todo o país. Com elas, a OEI levantou todos os casos de homicídios e acidentes de trânsito no Brasil.
O autor do estudo, Julio Jacobo Waiselfisz, afirma que a principal constatação do levantamento foi a confirmação de uma tendência de interiorização da violência. Até 1999, os homicídios se concentravam nas grandes capitais e regiões metropolitanas. De lá até 2004, último ano analisado, cidades menores começaram a apresentar as maiores taxas de assassinatos proporcionalmente a suas populações. Tanto que o município com maior proporção de mortes foi a pequena Colniza (MT). O estudo mostra ainda que 71,8% do total de homicídios aconteceu em 556 município, o que representa 10% das cidades brasileiras.
No ranking de homicídios entre todas as faixas etárias, o Paraná ocupava a 11 posição em 2004, com uma taxa de 28,1 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. O mais preocupante para o Estado, no entanto, é o índice de mortes violentas entre a população com idades entre 15 e 24 anos. No mesmo ano, foram registrados 59,9 homicídios para cada grupo de 100 mil jovens. A taxa coloca o Paraná na sétima colocação, à frente de estados como São Paulo (9º) e Minas Gerais (12º).
Pior: entre as cidades brasileiras, Foz do Iguaçu foi a que teve o maior índice de assassinatos entre jovens. Entre 2002 e 2004, a taxa média anual ficou em 223,3 mortes para grupos de 100 mil jovens. ''É uma cifra estúpida e ninguém se dava conta disso'', resume Waiselfisz. Para ele, a localização fronteiriça do município, somada à forte ação de contrabantistas, são algumas explicações para a alta taxa. O fato de ser uma cidade turística também ajuda, já que leva a Foz um contingente populacional extra.
Londrina, com 102,7 casos em média, ficou na 113 posição. Apesar de não se comparar com o de Foz, o número também é preocupante. Ainda mais quando comparado com o índice de Curitiba, que teve 89 casos, ficando na 205 colocação.
Trânsito- Mas números mais alarmantes são os que se referem a casos de mortes em acidentes de trânsito. Entre 2002 e 2004, a média anual foi de 131 mortes, o que coloca a cidade na 28 posição nacional. No Paraná, entretanto, Cascavel, com média de 137, e Curitiba, com 496, ficaram à frente.

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