Paraná é um dos estados que mais atraem migrantes
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de dezembro de 2002
Mônica Kaseker<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná é um dos estados brasileiros que mais recebem migração. O número de pessoas que se mudam para o estado aumentou 10,5% de acordo com os dados do Censo 2000 em relação a 1991. As saídas se reduziram 29,1%. Com isso, seu saldo migratório passou de 206.113, em 1991, para 39.686, em 2000.
Os resultados definitivos do Censo Demográfico 2000, lançados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), encerram a etapa de divulgações do maior e mais preciso recenseamento já realizado no Brasil. De acordo com o chefe da unidade do IBGE no Paraná, Sinval Dias dos Santos, a publicação confirma todos os dados divulgados durante o ano, especificando informações sobre os 5.507 municípios brasileiros. O Censo revela, além de dados econômicos, mudanças sociais e de comportamento nas regiões, estados e municípios.
Utilizando a informação sobre o lugar de residência cinco anos antes do censo, as mudanças mais importantes no saldo migratório dos Estados foram observadas no Paraná, Ceará, Pará, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
O Paraná e o Ceará diminuíram suas perdas populacionais entre os dois últimos censos. No período 1986/1991, ambos caracterizavam-se como Estados expulsores de população. Já o saldo migratório de São Paulo caiu aproximadamente 54%, passando de 744.798 indivíduos no período de 1986/1991 para 339.926 no período de 1995/2000. Esse comportamento teria sido consequência de uma redução de 12% no volume de entradas, junto com um aumento de 36% no efetivo de saídas.
O aumento das saídas se deve em parte à migração de retorno (migrantes voltando ao estado de origem). No entanto, 41% delas correspondem à movimentação de paulistas para outros estados. A maior parte das pessoas que saíram de São Paulo entre 1995 e 2000 foram para Minas Gerais, Paraná e Bahia. Os Estados que obtiveram o maior crescimento relativo, entre 1986/1991 e 1995/2000, no recebimento de pessoas que saíram de São Paulo foram Piauí (aumento de 115,9%), Amapá (95,5%), Ceará (83,7%) e Bahia (80,5%).
A população que se declarou de cor preta aumentou quase duas vezes mais que a que se declarou branca e oito vezes mais que a parda, mas os brancos constituem 53,7% da população, sendo que, entre empregadores, os brancos são 80%. Sobre a religiosidade da população brasileira, os dados revelaram que o catolicismo manteve a maior penetração nos estados do Nordeste e que as maiores concentrações de evangélicos estão no Norte do País. No Paraná, do total de 9.564.643 habitantes, 77% se declararam de cor branca, e 76% católicos. Mas foi no município de Assaí, no Norte do Paraná, que o IBGE encontrou a maior proporção de amarelos (15%).
A mortalidade infantil caiu de maneira generalizada e mais fortemente na região Nordeste. No Paraná, o coeficente de 36,97 mortes para cada mil nascidos vivos em 1990 para 22,15/mil no último censo, o que representa uma redução de 40,1%.


