Uma pessoa morre em confronto com as polícias do Paraná a cada 42 horas. De acordo com o 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no início do mês pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 200 pessoas foram mortas em confronto com policiais do Estado no ano passado. O índice alarmante é 12,3% maior que o registrado em 2013, quando 178 morreram nos enfrentamentos. Em números absolutos, o Paraná ocupa a quarta posição no ranking de mortes por policiais, atrás apenas de São Paulo, que lidera com 965 mortes, Rio de Janeiro (584) e Bahia (278).
Quando se leva em consideração a proporção de mortes por 100 mil habitantes, o Estado aparece na sétima posição, ao lado da Bahia, com a taxa de 1,8 mortos por 100 mil. Nesse quesito, o Rio de Janeiro lidera com 3,5, seguido pelo Amapá (3,3), Alagoas (2,3), São Paulo (2,2), Pará (2,0) e Sergipe (1,9). Completam os dez primeiros lugares Goiás (1,5) e Santa Catarina (1,4). Destes estados, o único que conseguiu reduzir as mortes em confronto no período analisado foi a Bahia, de 313 para 278 (-11%).
Pelo caráter ostensivo, a Polícia Militar do Paraná foi responsável por 192 das 200 mortes em confronto no Estado. Do total, 178 foram cometidas por policiais militares em serviço e 14 fora do horário de trabalho. Já os policiais civis foram responsáveis por oito mortes, seis em serviço e duas fora dele. "São dados lamentáveis que refletem o pensamento de boa parcela da população de que bandido bom é bandido morto. Essa percepção reverbera na forma de como as forças de segurança lidam com a letalidade", comenta o cientista social Pedro Bodê, coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O especialista em segurança pública reconhece que há situações em que o uso de força letal se faz legítimo, mas avalia que um cenário com mais de uma morte a cada dois dias não pode ser considerado exceção. "Fica evidente que a letalidade não está sendo empregada como o último recurso disponível. A formação militarizada expõe uma polícia extremamente violenta", analisa.
No ano passado, a Secretaria Estadual de Segurança Pública foi comandada pelo deputado federal Fernando Francischini (SD). Delegado da Polícia Federal, o parlamentar integra a chamada "bancada da bala" no Congresso. Com aparições em programas de TV com armas na cintura, ele chegou a comemorar publicamente quatro mortes em confronto em uma semana, em abril do ano passado. Ele permaneceu no cargo até maio deste ano, após o episódio no Centro Cívico, que terminou com centenas de professores feridos. Especialistas acreditam que o aumento das mortes em confrontos possa ser resultado do "efeito Francischini".
Outra questão preocupante é dificuldade no acesso aos dados. Por mais de um ano, a FOLHA tentou, sem sucesso, obter dados de mortos em confronto com policiais junto a assessoria de imprensa do comando da Polícia Militar (PM).
No País, as mortes em confrontos com a polícia ficaram em segundo lugar das causas mais comuns de mortes violentas intencionais, superando os latrocínios. Foram 3.022 (5,2% dos casos). Apenas os homicídios, com 52 mil ocorrências (89,3%), superam esses números.

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