Paraná é pioneiro na produção de bio chips
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sexta-feira, 30 de agosto de 2002
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) anunciou ontem que está desenvolvendo um programa inédito no Brasil na área genética. O órgão foi pioneiro na produção de bio chips, ou chips de DNA, que vão permitir a análise mais detalhada de várias doenças, como toxoplasmose e dengue, e a produção de drogas para combatê-las. O programa será desenvolvido através de convênio do governo estadual com a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), que foi renovado ontem até 2008.
O IBMP já investiu cerca de R$ 1 milhão no projeto dos bio chips. Esse dinheiro foi captado através da Fiocruz, que é um órgão do Ministério da Saúde, de agências de fomento, da Fundação Araucária, do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e do Ministério de Ciência e Tecnologia. ''É um mapeamento muito importante para o desenvolvimento de novas drogas e conhecimento do alcance das doenças'', afirmou o diretor do IBMP, Samuel Goldemberg.
Ainda não é possível saber quando o projeto vai render resultados práticos, informou Goldemberg. ''Mas já estamos ganhando em termos de conhecimento e formação de recursos humanos'', disse. O IBMP está utilizando os bio chips para analisar doenças parasitárias, como a doença de Chagas, leishmaniose, dengue, raiva e toxoplasmose. ''O assunto da pesquisa é inédito no Brasil e poucos centros no mundo têm projetos semelhantes'', relatou Goldemberg.
De acordo com o presidente da Fiocruz, Paulo Marchiori Buss, o convênio foi renovado porque rendeu bons frutos. ''Nesses dois anos de existência houve grandes projetos, como a capacidade de diagnosticar doenças com mais precisão'', relatou. Ele disse que outros locais já utilizam os avanços obtidos pelo IBMP no que se refere a diagnóstico de dengue e malária.
Buss afirmou que a Fiocruz quer fazer investimentos maiores no IBMP, mas os valores ainda não foram acertados. Para ele, o projeto de mapeamento através dos bio chips vai trazer grandes benefícios à saúde da população. ''Este é um dos programas em que mais temos esperança'', acrescentou. O convênio da Fiocruz com o governo estadual também prevê recursos para o Tecpar, fornecedor de vacina anti-rábica para o Ministério da Saúde.


