Paraná é o que mais recebe forasteiros pelo Sisu
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quinta-feira, 16 de maio de 2013
Danilo Marconi<br>Reportagem Local 
Londrina O Paraná é o Estado que proporcionalmente mais recebeu matrículas de universitários "forasteiros" pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) no País. O índice do fluxo migratório chegou a 27%, conforme levantamento do Ministério da Educação (MEC). A média nacional foi de 13%.
Os dados foram divulgados agora porque houve atraso para o início do ano letivo funcionários da maioria das instituições federais ficaram 110 dias em greve ano passado.
O Sisu seleciona estudantes por meio da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O sistema é todo informatizado e beneficia o candidato a se inscrever em um curso sem ter a obrigação de sair de casa evitando gastos como transporte, hospedagem e inscrições para vestibular.
Cerca de 2 milhões de pessoas se inscreveram este ano no Sisu. Pelo levantamento, o MEC contabilizou 118.996 matrículas até o início de maio em 101 instituições de ensino superior (eram oferecidas 129 mil vagas).
Das matrículas realizadas, 15.671 foram feitas por universitários que tiveram que mudar do Estado de origem. O Paraná recebeu 1.068. Em números absolutos, Minas Gerais é o Estado que receberá o maior número de universitários migrantes, 2.437. Por outro lado, 423 paranaenses mudaram de Estado para estudar. São Paulo é o que mais exportou estudantes, 4.839.
Em 2010, o número de estudantes que mudou de Estado foi de 8,3 mil.
A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) é a única instituição de ensino superior de Londrina em que todos os matriculados vêm pelo processo do Sisu (a universidade aboliu o vestibular há três anos). "Evitamos todas aqueles transtornos do vestibular como divulgação, realização do concurso, elaboração de provas e correção. Isso gera uma economia e você universaliza as vagas para o Brasil todo", explicou o diretor da UTFPR Londrina, Marcos Imamura.
A universidade tem 809 alunos de graduação, apenas 447 são de Londrina. Dos 168 calouros, que iniciaram o ano letivo semana retrasada, 32,7% são "forasteiros".
Basta caminhar pelo campus e escutar os sotaques diferentes. Herrison Fontana está matriculado no curso técnico de Alimentos. Ele é natural de Alta Floresta, Mato Grosso, cerca de 2 mil quilômetros de distância de Londrina. "No meu Estado tinha um curso igual a esse, mas o conceito era baixo. O (curso) de Londrina é considerado o melhor do País e dei preferência para vir para cá", disse.
O chapecoense Giorgio Scolari faz sua segunda graduação, ele está matriculado no curso de Engenharia de Materiais. Este é o curso com maior incidência de fluxo migratório na instituição, 63% (Licenciatura em Química, 5%, Alimentos, 10%, Engenharia Ambiental, 47%). "Queria ter um plano na área de Ciências Exatas, mas meu sonho sempre foi a engenharia", comentou o químico.
O maior grupo de forasteiros vem de São Paulo. "O Sisu ajuda muito o pessoal de escola pública a ingressar em uma universidade, mas tem que ficar atento em como se manter porque o número de bolsas disponíveis é limitado e a maioria dos cursos é integral aqui em Londrina", observou a universitária Stephanie Luri Kacuta. Ela veio de Guapiara, município com pouco mais de 19 mil habitantes do interior paulista.
"Fiz cursinho por três semestres, mas não passei em vestibulares de universidades paulistas, até que me inscrevi no Sisu. Optei por aqui por ser uma cidade grande e por ser uma universidade federal", comentou Eduardo Henrique Giraldi, natural de Bariri (SP).
"Apesar de longo e cansativo, você consegue usar a nota do Enem em várias universidades. Ao mesmo tempo que você concorre para uma instituição mineira, você viaja para Paraná, São Paulo, Bahia sem sair de casa. Se for selecionado, você escolhe aquela que melhor agradar", disse João Paulo Moraes Ribeiro, de Presidente Venceslau (SP).


