Paraná é o 6º em casamentos homoafetivos
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina - Dados das estatísticas de registro civil, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram que foram realizados 3.701 casamentos entre pessoas do mesmo sexo no Brasil em 2013. Os números representam 0,35% do total de registros e uma média de 10 por dia. O Paraná aparece na sexta posição no ranking nacional, com 168 registros civis, num total de 60.823 uniões realizadas no mesmo ano no estado, o que representa apenas 0,27%. Destes, 88 registros (52,3%) foram entre homens e 80 (47,6%) entre mulheres. Já do total de casamentos no País, houve mais casamentos femininos 1.926 (52%) foram entre mulheres e 1.775 (48%) entre homens. Esta foi a primeira vez que o estudo analisou os números de casamentos homoafetivos no Brasil.
O próximo levantamento deve apresentar um número ainda maior, devido ao grande interesse de casais homoafetivos em oficializar sua relação. É o caso das sacerdotes do candomblé Cláudia dos Santos e Bernadete Ferreira. Juntas há três anos, pretendem casar no dia 25 de janeiro do próximo ano. "Eu vejo a união civil como um direito conquistado, um reconhecimento de que somos seres dignos de termos nossa vontade respeitada legalmente", comenta Cláudia. Para o dia do casamento, além do juiz de paz, querem uma grande festa para comemorarem junto com uma data festiva para a religião. "Vai ser o dia de celebrar nosso amor com toda a família e amigos."
São Paulo foi o estado com o maior número de uniões no Brasil, 1.945, e o maior percentual de casamentos de pessoas do mesmo sexo tanto de homens (50,5%) quanto de mulheres (54,4%). Em seguida, vem o Rio de Janeiro, com 211, e Minas Gerais, com 209 casamentos. Ainda segundo o levantamento, a maioria dos casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo foi realizada na Região Sudeste, com 2.408, seguida da Região Sul, com 525 registros. No Sul, Santa Catarina vem em primeiro lugar, com 207 casamentos, ocupando a terceira posição no ranking nacional. O Acre foi o estado que registrou menos casamentos entre pessoas do mesmo sexo: apenas um.
Entre os homens, 82,3% dos casamentos ocorreram entre solteiros; 12,5% entre solteiro e divorciado; e 1,5% entre divorciados. Entre as mulheres, 75,5% das uniões foram entre solteiras; 17,4% entre solteira e divorciada; e 1,4% entre divorciadas. A idade mediana - valor que divide os cônjuges em duas metades iguais - foi de 37 anos para os homens e 35 para as mulheres, mais alta do que a observada para os casais de sexo diferente, 30 e 27 anos, respectivamente. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou, por meio de resolução, que os cartórios realizassem a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Antes, só era possível realizar documento de união estável nos cartórios.
Outros dados
A pesquisa também traz informações e comparações históricas sobre divórcios, nascimentos e óbitos. De acordo com os dados do IBGE, o brasileiro se divorciou um pouco menos em 2013. Foram registrados 324.921 divórcios em primeira instância, sem recursos ou por escrituras extrajudiciais - 5% a menos do que no ano anterior. Em 2010, a taxa geral de divórcios ficou em 1,82 por mil habitantes e alcançou 2,6 por mil no ano seguinte à mudança da legislação. No ano passado, com a redução no número de divórcios, a taxa geral ficou em 2,6 por mil habitantes. A idade média dos homens ao se separar foi de 42 anos em 2013. A das mulheres foi de 39 anos.
O sub-registro de nascimentos atingiu a mais baixa proporção - a estimativa é de que 5,1% das crianças nascidas em 2013 não foram registradas no ano do seu nascimento ou até o fim do primeiro trimestre de 2014. Em 2003, essa proporção era de 18,8%, segundo as estatísticas de registro civil do IBGE. A redução, no entanto, ainda é desigual. No Norte e Nordeste, 15,8% e 14,1% dos bebês nascidos nessas regiões, respectivamente, não tiveram registro. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a cobertura de registros foi completa.
A mortalidade infantil no Brasil está concentrada nos primeiros 27 dias do bebê. Em 2013, 31.909 crianças com menos de um ano morreram e 67,4% dessas mortes foram registradas até o 27º dia de vida, informam as estatísticas de registro civil. (Com Agência Estado)


