A cada duas horas uma pessoa morre num acidente de trânsito no Paraná. Essa trágica média fez o Estado ficar atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais no número de vítimas fatais do trânsito brasileiro no ano passado. Com 10 milhões de habitantes o Estado registrou um número de mortes semelhante ao de Minas Gerais, que possui quase o dobro da população (19,5 milhões).
De acordo com dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, em 2010, pelo menos 3.410 pessoas morreram no trânsito paranaense. Minas Gerais registrou 3.674 vítimas. Rio Grande do Sul que possui praticamente a mesma população do Paraná contabilizou 2.276 mortes, 34% menos que o Paraná.
De acordo com o especialista em trânsito ouvido pela FOLHA, major Sérgio Dalbem, o número de mortes de trânsito no Paraná é absurdo pois faltam campanhas educativas e fiscalização. ''Não se pode jogar a culpa só nos motoristas. Eles têm grande parte da culpa mas o governo também tem responsabilidade. A própria lei prevê que o governo invista em campanhas e não estou falando daquele vídeo que aparece na televisão de vez em quando. Mas do corpo a corpo. Nas campanhas de dengue, não são realizadas visitas nas casas? Pois neste ano 4 pessoas morreram por causa da dengue em Londrina, com acidentes com certeza o número já ultrapassa 30'', compara Dalbem.
Segundo o especialista, há mais de 8 anos não é realizada uma grande campanha no Estado. ''No Rio Grande do Sul e Santa Catarina os motoristas estão em outra cultura, mais conscientizados. Pois existem mais campanhas educativas, o Conselho Estadual de Trânsito funciona lá e aqui não'', alfinetou.
Grande parte dos acidentes, observa Dalbem, acontece por imprudência dos condutores. ''O governo tem de agir para que o condutor dirija sabendo que está sendo fiscalizado e com medo de se envolver num acidente. É preciso lembrar constantemente que os limites de velocidade e a sinalização precisam ser respeitados''.
Dalbem elogiou a iniciativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que entrou com ação na Justiça Federal esta semana, contra um condutor bêbado, o qual causou um acidente que resultou em despesas de R$ 90 mil para a Previdência. O objetivo do INSS é conseguir o ressarcimento das despesas com pensões em casos de morte. Só para ter uma ideia, acidentes custam aproximadamente 8 bilhões por ano para Previdência.
Números divulgados ontem pelo Ministério da Saúde apontam que em 2010 foram contabilizadas 145 mil internações no SUS causadas por acidentes em todo país, 15% a mais do que em 2009. Isso representou um investimento de R$ 190 milhões só em procedimentos específicos no Sistema Único de Saúde (SUS).
Em todo país 40.610 pessoas morreram em acidentes apenas no ano passado. De 2002 até 2010 o trânsito praticamente apagou do mapa uma população semelhante à de Maringá: 327 mil pesssoas.
Além das mortes, os acidentes também deixam multidões com ferimentos graves. ''Um estudo do Hospital das Clínicas, em São Paulo, revelou que de cada 100 vítimas de acidentes 14 ficaram com sequelas permanentes'', afirmou Dalbem.

Imagem ilustrativa da imagem Paraná é o 3º em mortes no trânsito