Londrina - O Paraná é uma das 10 unidades federativas que estão mais em débito com sua população feminina no assunto segurança pública. De acordo com a Pesquisa de Informações Básicas Estaduais de 2012 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em março, o Paraná tinha no ano passado 13 delegacias especializadas em atendimento de ocorrências de violência contra a mulher, o que representava uma unidade para cada 417.335 habitantes paranaenses do sexo feminino.
Era a 19ª proporção entre as 27 unidades federativas brasileiras. Apenas oito apresentavam índice pior: Bahia, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Ceará, Rio de Janeiro, Rondônia e Distrito Federal.
A melhor proporção nacionalmente era a de Tocantins, onde havia uma delegacia especializada para cada grupo de 79.253 mulheres residentes no Estado. O pior índice era o do Distrito Federal, com apenas uma unidade para uma população feminina de mais de 1,4 milhão de habitantes.
Os dois vizinhos de Região Sul tinham números melhores que o Paraná em delegacias da mulher, tanto em termos absolutos quanto proporcionais. Segundo a pesquisa, Santa Catarina possuía 23 unidades desse tipo, ou uma delegacia para cada 141.254 mulheres na população catarinense. O Rio Grande do Sul tinha 15 delegacias da mulher, uma para cada 372.185 gaúchas.
O governo do Paraná alega que os números da pesquisa do IBGE estão desatualizados e que o Estado tem hoje 16 delegacias da mulher, em Curitiba, São José dos Pinhais, Araucária, Pato Branco, Foz do Iguaçu, Umuarama, Paranavaí, Maringá, Londrina, Jacarezinho, Ponta Grossa, Guarapuava, Cascavel, Campo Mourão, Apucarana e Toledo. De acordo com a Coordenadoria das Delegacias da Mulher (Codem) do Paraná, duas dessas unidades, as de Apucarana e Jacarezinho, apesar de estarem em funcionamento, ainda não estão formalizadas.
A delegada Maritza Haisi, responsável pela Codem, aponta que essas 16 delegacias representam uma cobertura de 44% da população total paranaense (homens e mulheres). "Estive em um evento nacional no ano passado e, dentro do panorama brasileiro, a situação do Paraná está dentro do razoável. Existem Estados que só têm uma delegacia da mulher. Mas é claro que (o atendimento no Paraná) tem que ser ampliado", reconhece a delegada.
A Codem, criada em janeiro deste ano, está elaborando um diagnóstico do atendimento à mulher vítima de violência no Paraná. "É um trabalho bastante minucioso, que leva em conta população, regiões geográficas e registros de ocorrências de violência contra a mulher em cada local", explica Maritza. O estudo deve ficar pronto em maio e vai subsidiar um projeto a ser desenvolvido dentro dos próximos anos.
De acordo com a pesquisa Mapa da Violência, elaborada pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), em 2010 o Paraná foi o terceiro Estado com maior taxa de homicídios de mulheres. Foram 6,4 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres, índice inferior apenas ao registrado no Espírito Santo e em Alagoas. Em números absolutos, o estudo aponta que ocorreram 338 assassinatos de mulheres no Paraná em 2010.

Imagem ilustrativa da imagem Paraná é o 19ª em delegacias da mulher
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