Paraná e Itália assinam termo de cooperação cultural
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segunda-feira, 07 de março de 2016
Adriana De Cunto<br>Reportagem Local 
Curitiba O embaixador da Itália no Brasil, Raffaele Trombetta, visitou Curitiba ontem em sua segunda viagem oficial à capital paranaense desde que assumiu o cargo, três anos atrás. Um dos principais compromissos da viagem foi, ontem à tarde, a assinatura de um protocolo de intenções para o projeto de cooperação cultural entre o governo do Paraná, o Consulado-Geral da Itália em Curitiba e o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, que busca estreitar os laços culturais entre o Paraná e a Itália. O marco inicial dessa cooperação foi a inauguração, ontem, da exposição "A prática da arte futuro possível", do artista italiano Giorgio Galli. A mostra ficará no salão de entrada do Palácio Iguaçu, sede do governo estadual, até o dia 31 de maio.
Raffaele foi recebido pelo governador Beto Richa e pela vice-governadora Cida Borghetti. O acordo assinado ontem permite que espaços culturais de cidades paranaenses recebam uma série de trabalhos de artistas italianos. Além da mostra no Palácio Iguaçu, a sede da Secretaria de Estado da Cultura abrigará, no próximo mês, uma mostra fotográfica de Andreu Reverter. Também estão previstas mostras de cinema e o intercâmbio de artistas paranaenses e italianos.
Para o embaixador Trombetta, a cultura é o que une o povo italiano aos seus descendentes que vivem no Brasil. "A cultura é uma parte essencial da história italiana e das relações entre a Itália e o Brasil, em especial no Paraná", disse o embaixador.
Pela manhã, Trombetta se encontrou, no Palácio Garibaldi, com representantes da comunidade italiana do Paraná e de Santa Catarina, os dois Estados que fazem parte da circunscrição do Consulado-Geral de Curitiba. Esses dois Estados têm 70 mil pessoas com cidadania italiana reconhecidas e inscritas no consulado. "Mas se você considerar aqueles potenciais descendentes italianos, nos superamos quatro milhões nos dois estados", comentou o presidente da Associação Giuseppe Garibaldi e do Comitato Degli Italiani All`Estero, Walter Antonio Petruzziello. No Brasil, são 22 milhões de descendentes.
No Palácio Garibaldi, o embaixador e o cônsul da Itália em Curitiba, Enrico Mora, foram recebidos também pela vice-governadora e pela deputada brasileira no Parlamento Italiano, a paranaense Renata Bueno. Há possibilidades, este ano, do Parlamento Italiano ter a presença de mais um paranaense. Uma das duas vagas do Senado italiano para a América do Sul pode ser ocupada pelo suplente Walter Petruzziello. É que o ocupante da cadeira, hoje, o argentino Claudio Zin, deve ser nomeado embaixador argentino na Suíça.
Como não poderia deixar de ser, o assunto cidadania italiana ganhou espaço no encontro, principalmente depois que o Brasil realizou os procedimentos necessários para implantar a Apostila da Convenção de Haia, acordo de 1961 que extingue a validação de documentos públicos em representações diplomáticas estrangeiras. Assim, qualquer documento emitido por uma autoridade pública brasileira, por exemplo, teria a mesma validade em qualquer país que faz parte da convenção. Pessoas que estão em processo para obter a dupla cidadania chegaram a comemorar acreditando que o Pacto de Haia poderia encurtar o caminho. Mas não é bem assim, explicaram as autoridades italianas. "Pode ficar mais rápido para quem vai fazer (o processo de reconhecimento de cidadania) diretamente na Itália. Porque não vai precisar agendar um horário no consulado para reconhecer as assinaturas", explicou Petruzziello. Quem entrou com a documentação em um consulado italiano no Brasil não perceberá diferença, ressaltou. Quarenta mil pessoas esperam hoje, na fila do consulado de Curitiba, o reconhecimento da cidadania italiana por direito de sangue. A tramitação do processo demora, em média, seis anos.


