Brasília, 04 (AE) - Os municípios do Paraná, reduto político do ministro dos Esportes e do Turismo, Rafael Greca, foram beneficiados na celebração de convênios do Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Indesp) com prefeituras. De acordo com um levantamento elaborado pelo próprio Indesp, até o dia 27 de dezembro haviam sido celebrados convênios e empenhados recursos para 44 cidades paranaenses.
Com mais municípios que o Paraná, Minas Gerais teve 38 convênios celebrados com prefeituras. Em São Paulo, o número de cidades com verbas empenhadas é de 30. Ainda que a liberação dos recursos de convênios celebrados este ano com prefeituras tenha sido mínima, mais uma vez o Paraná teve atendimento superior: até 27 de dezembro, cinco cidades já tinham recebido os recursos: Barracão, Foz do Iguaçu, Guaíra, Iporá e Toledo. O maior valor foi destinado para Guaíra, para a organização dos Jogos Indígenas, que teve sede nesta cidade: R$ 307,9 mil. Dos 38 convênios celebrados com prefeituras mineiras, nenhum tinha sido pago.
Com a responsabilidade de canalizar um grande número de emendas de parlamentares para a construção de quadras poliesportivas e outras obras do gênero, o Indesp está recebendo críticas também pelo modo com que conduz a análise das emendas. Autora de três emendas beneficiando os municípios gaúchos de Santa Bárbara, Horizontina e Trindade do Sul, a deputada Esther Grossi (PT-RS) diz ter ouvido de técnicos do Indesp que qualquer liberação de recursos só poderia ser examinada com um pedido por escrito do líder da bancada, deputado José Genoíno Neto (SP).
"Achei isto um absurdo, cheguei a conversar sobre o assunto com o secretário geral da presidência, Aloysio Nunes Ferreira Filho, mas o dinheiro ainda não saiu", disse a deputada. "Eles querem a minha assinatura para que eu fique caracterizado como um parlamentar que pede favores e assim me comprometa", disse Genoíno.
Procurado pela reportagem, o presidente do Indesp, Augusto Viveiros, estava em trânsito entre Natal e Brasília e não pôde ser localizado pelo telefone celular. Sobre a exigência de assinatura de Genoíno, a assessoria de imprensa do ministério informou que este é um procedimento adotado no governo para despersonalizar a relação entre Executivo e Legislativo, limitando o relacionamento apenas entre o órgão técnico e os líderes partidários.

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