Paraná é 3º colocado no ranking de presos
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segunda-feira, 24 de julho de 2006
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Dados do Ministério da Justiça mostram que o Paraná é o terceiro estado com o maior número de presos em unidades prisionais (cadeias públicas e centros de triagem) e no Sistema Penitenciário. Ao todo, seriam 15,5 mil presos. Os dados variam dia-a-dia, dependendo do número de presos e de liberações realizadas. Apenas têm mais presos os estados de São Paulo (120,6 mil) e Pernambuco (15,8 mil). Os relatos feitos por parlamentares da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas demonstram que nestes dois estados, assim como no Paraná, as facções criminosas já estão organizadas nos presídios.
A relação é direta e tem a ver com a condição dos presos, tratamento oferecido, superlotação e com a facilidade de entrada de telefones celulares nos presídios. De acordo com o advogado criminalista Dálio Zippin Filho, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) e estudioso das facções organizadas no Paraná, a desestruturação das cadeias é um dos principais motivos para que os presos se organizem e procurem alternativas para a conquista de melhores condições de pena. No Paraná, segundo ele, 90% dos presos já estariam filiados ao PCC (Primeiro Comando da Capital) facção criminosa paulista que começou a se organizar no início da década de 90.
''O PCC está organizado desta forma no Paraná porque o Estado não supre as necessidades básicas dos presos. O PCC supre. Ele contrata advogados para os presos filiados que são obrigados a serem soldados do PCC quando são libertados. Nas ruas, eles precisam contribuir financeiramente para o grupo com uma taxa de 50 reais por semana. Os familiares trabalham como pombos-correios dando recados para os presos e nas ruas. Muitas vezes levam drogas, celulares e o que for preciso para dentro das cadeias. Até mesmo advogados paranaenses já foram cooptados pelo PCC e trabalham para o grupo'', denunciou Zippin Filho.
O advogado relatou que, em Catanduvas, onde o presídio federal de segurança máxima foi instalado, foram roubados 200 quilos de dinamite e 15 motocicletas pela facção criminosa, como um aviso ao governo do Estado de que poderiam ocorrer desgraças se os líderes do PCC tivessem problemas no presídio.
''Este foi um recado nítido de represália do PCC por conta do excesso de policiamento da região. As cadeias de Foz do Iguaçu estão em alerta por causa das ameaças do grupo. Isolar a liderança é uma excelente alternativa para tentar controlar a situação. O PCC é uma doença. Temos de evitar que esta doença seja ainda mais disseminada'', ponderou o advogado.
Outra alternativa para evitar que novos grupos se formem em penitenciárias, mesmo após o isolamento das lideranças, seria a oferta de defensores públicos e advogados para os presos; atendimento social das famílias (para evitar que elas caiam na rede de proteção que o PCC oferece); e apenamento brando para crimes que não representem risco social (reforço das penas alternativas).


