Paraná discute a questão indígena
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segunda-feira, 20 de maio de 2002
Rosana Félix Equipe da Folha 
Curitiba - Os problemas de moradia e as discussões em torno da aprovação do Estatuto do Índio, paralisadas há dez anos na Câmara dos Deputados, serão os principais temas discutidos até amanhã no seminário Paraná Indígena: Memória da Terra, aberto ontem em Curitiba. O evento reúne cerca de 30 representantes de tribos do Paraná, 105 estudiosos da área e 150 índios.
Na abertura do seminário, o presidente do Conselho Indígena Regional de Guarapuava, Neoli Kafy Rygue Olíbio, requisitou ao governador Jaime Lerner (PFL), presente na solenidade, uma solução para a falta de moradia de 2,6 mil indígenas, próximos a Quedas do Iguaçu (165 km a leste de Cascavel). Lerner disse que a Cohapar vai se reunir com os índios para achar uma solução. É uma briga antiga, de quatro anos, mas felizmente já recebemos uma sinalização do governador, disse Olíbio.
Em um contexto nacional, o principal problema do índio é a promulgação do estatuto, e no estadual, a questão habitacional, reforçou o assessor para assuntos indígenas do Estado, Edívio Battistelli. De acordo com o deputado federal Luciano Pizzatto (PFL), relator do estatuto, o texto está emperrado há dez anos por desavenças entre diferentes tribos.
Segundo o líder Olíbio, os grupos indígenas vão promover uma série de debates neste ano. Acredito que com uma boa discussão vamos conseguir superar as diferenças, disse. Uma das mudanças fundamentais do Estatuto do Índio é a que trata da profissionalização desse grupo, disse Olíbio. O estatuto vigente diz que o índio é incapaz de exercer uma profissão. Temos que acelerar a aprovação do projeto, afirma.
Espero que todos aqui tenham a boa vontade de trabalhar juntos na luta pelos direitos humanos dos índios, disse o cacique Raoni, na abertura do seminário. Ele presenteou o governador com um cocar típico de sua tribo, Kaiapó.
Censo - De acordo com o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Glênio da Costa Alvarez, o órgão vai fazer um novo levantamento da população indígena, juntamente com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados preliminares do Censo 2000, do IBGE, divulgados há dez dias, mostraram que o Brasil teria 700 mil índios, e o Paraná, 19 mil.
Pela convivência que nós temos, sabemos que esse número está muito alto, e por isso vamos fazer novo censo, afirmou Alvarez. Segundo ele, o Brasil tem cerca de 360 mil índios, e o Paraná, 11 mil índios Kaigangue, Guarani e Xetá, que vivem em 23 reservas.


