São Paulo, 19 (AE) - O plantio de soja no Paraná deve ser 1% maior do que o da safra passada, segundo Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura do Paraná. O cultivo no Estado deve atingir 2,797 milhões de hectares, contra 2,770 milhões de hectares em 98/99. A informação consta do quarto levantamento de plantio do Deral, divulgado hoje. O trabalho foi concluído a partir de dados coletados até a última sexta-feira.
No primeiro levantamento, feito em fim de julho, o Deral estimava que a área de soja fosse cair 2% este ano, ficando em 2 715 milhões de hectares. De acordo com a agrônoma Vera Zardo, coordenadora da Divisão de Conjuntura Agropecuária do Deral, a recuperação da soja se deve há dois motivos. O primeiro é a melhoria dos preços do produto no mercado. O segundo é a estiagem no Estado, que está atrapalhando o plantio do milho.
Em áreas onde o plantio é feito preferencialmente em setembro, alguns produtores se voltaram para a soja. "Mesmo algumas lavouras plantadas onde o milho estava com más condições de germinação e com ataque de pragas, as lavouras estão sendo erradicadas para o plantio da soja", diz Zardo.
Segundo a agrônoma, a alteração na situação de plantio no Paraná não chega a ser surpreendente. "Em algumas áreas do Estado, como o Norte, Oeste e Centro-Oeste, os produtores gostam de plantar soja na primeira safra e milho na segunda safra", observa. "Isso porque a soja tem uma liquidez muito maior", diz.
O Deral reviu para baixo a área de milho no Paraná. A área plantada é estimada em 1,575 milhão de hectares, apenas 3% acima do plantado no ano passado, que foi 1,527 milhão de hectares. A estiagem no Paraná foi o principal limitador do plantio, diz a agrônoma Vera Zardo. Na primeira estimativa do Deral, a projeção era de que a área aumentasse 6%, ficando em 1 620 milhão de hectares.
O aumento da intenção de plantio foi causado pela alta dos preços do mercado doméstico, onde o produtor está recebendo até R$ 9,50 por saca no atual momento. O plantio do milho, até sexta-feira passada, atingia 55% da área estimada. Até fim de outubro, o Paraná costuma plantar 82% da área de milho. "Houve chuvas de sexta para sábado em todas as regiões do Paraná, embora a intensidade tenha variado, e isso pode ajudar", diz Zardo. Ela nota, contudo, que as chuvas também beneficiam o plantio da soja que começa geralmente nesta época no Estado. "Os próximos dias serão decisivos, porque saberemos se o produtor vai decidir plantar milho ou soja com essas chuvas", diz Zardo. "Por isso, continuaremos em campo e divulgaremos mais um relatório no fim do mês." O plantio da soja, que começa mesmo a partir do dia 20, até sexta equivalia a apenas 0,6% da área.
O clima adverso no Paraná está reduzindo ainda mais o plantio de feijão das águas no Estado. A área da cultura deve ser 12% abaixo da plantada na safra das águas passada, aponta o Deral. A projeção é de que o feijão ocupe apenas 444 mil hectares, contra 506,4 mil hectares de 98/99. Segundo Vera Zardo
áreas no Centro-Sul e Sudoeste do Paraná, algumas das quais começam o plantio em agosto, sofreram com as geadas que ocorreram no Estado. Onde produtores decidiram replantar a cultura, foram impedidos em setembro pela estiagem que se seguiu.
"Em áreas como Ponta Grossa, produtores mais tecnificados desistiram de plantar o feijão porque isso poderia atrasar o cultivo da soja", diz a agrônoma do Deral. As primeiras projeções de plantio do Deral, divulgadas em fim de julho, já apontavam queda de área no Estado, embora menor: a estimativa era de 465 mil hectares. "A área caiu mesmo porque alguns produtores já vinham de frustrações de safra anteriores, estavam descapitalizados, com dificuldade de crédito e desestimulados pelos preços pouco remuneradores", diz Zardo.
A agrônoma diz que não apenas a área se reduziu, mas a produtividade, devido ao plantio tardio e ao estresse climático, deve cair no Estado. "Em pontos que plantaram primeiro, como em Francisco Beltrão, a produtividade deve cair de 15% a 20%", diz. Segundo Vera, os problemas climáticos também vão atrasar a entrada da nova safra. "Geralmente entra um bom volume de feijão já em novembro, mas este ano será pouco, com a maior parte da oferta se concentrando em dezembro e janeiro", diz.

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