Curitiba - O Paraná espera concluir, até o segundo semestre de 2007, o Plano Estadual de Recursos Hídricos, com ações para proteção das águas superficiais e subterrâneas. Sete das 11 emendas propostas pelo Paraná foram incluídas no plano nacional apresentado ontem em Curitiba pelo secretário nacional de Recursos Hídricos, João Bosco Serra.
Para o diretor-presidente da Superintendência de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), Darcy Deitos, uma das maiores responsabilidades do Paraná no cumprimento do plano nacional é quanto à conservação do maior aquífero do mundo: o Guarani. Cerca de 131 mil quilômetros quadrados da área abrangida pelo manancial subterrâneo está em território paranaense.
Uma das emendas sugeridas pelo Paraná e inserido no Plano Nacional de Recursos Hídricos trata, justamente, do maior detalhamento nos cuidados com os aquíferos. A proposta, no entanto, é que as ações de preservação sejam estendidas, também, para outros manancias subterrâneos considerados, igualmente, importantes como o Karst e o Serra Geral.
Na parte de proteção às águas superficiais, o Paraná já está adiantado, assegurou Deitos. Quatro das 16 bacias hidrográficas do Estado já dispõem de comitês técnicos, que são os responsáveis por definir as ações estratégicas para reverter o cenário de degradação dos rios e suas nascentes.
Dois dos comitês já constituídos o da Bacia do Alto Iguaçu e do Rio Ribeira , irão formalizar, na segunda-feira, o chamado ''termo de referência'' para elaboração do plano de ação. Na semana passada, o comitê da Bacia Hidrográfica do Tibagi assinou o termo.
Segundo estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), seria necessário investimento de R$ 1 bilhão para despoluir, em 15 anos, a Bacia do Alto Iguaçu, que reúne mananciais de abastecimento como os rios Iraí e Iguaçu. De acordo com o professor do Departamento de Engenharia Ambiental da UFPR, Eduardo Felga Gobbi, o maior problema nessa bacia é a poluição com esgoto doméstico.
O diretor de Recursos Hídricos da Suderhsa, Emílio Trevisan, lembrou que as propostas apresentadas pelo Paraná envolvem, ainda, estudos sobre o perímetro de proteção das nascentes. ''O Código Florestal estabelece raio de 50 metros, o que tanto pode ser eficiente como superestimar ou subestimar a área a ser preservada'', explicou.
Também foi sugerida a inclusão no plano do complexo lagunar Iguape-Cananéia um dos mais importantes berçários de vida marinha do planeta como área a ser conservada, e estudos sobre poluição difusa todo tipo de resíduo que está na superfície e que acaba sendo carreado por meio das galerias de águas pluviais para os rios.

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