Curitiba- A Secretaria de Saúde do Paraná confirmou ontem a ocorrência de dois casos de febre amarela autóctones (contraída dentro do Estado) em Laranjal (170 km a oeste de Guarapuava). Um rapaz de 27 anos, que teve a doença confirmada por exame laboratorial, está internado em um hospital de Ivaiporã, onde realiza hemodiálise, pois teve os rins afetados pela doença. Seu irmão, de 35 anos, apresentou os mesmos sintomas, mas acabou morrendo no dia 29 de fevereiro sem realizar os exames. Em razão da análise clínico-epidemiológica, a Secretaria diagnosticou como morte causada pela febre amarela.
Os irmãos trabalhavam como madeireiros na zona rural de Laranjal. Além destes dois casos, o Paraná confirmou outros dois (um em Curitiba e outro em Maringá) -mas os pacientes tinham viajado para regiões brasileiras onde o risco da doença era grave. ''Os casos autóctones foram confirmados. Um em laboratório e outro pelo quadro clínico -já que o caso dele não tinha sido investigado até sua morte'', declarou Gilberto Martin, secretário de Estado de Saúde. Até agora, dez casos suspeitos de febre amarela foram notificados, mas cinco deles foram descartados e outro ainda está em análise.
Para garantir o bloqueio da doença, Martin dividiu o Paraná em três grandes regiões: área de risco, área de transição e área livre da febre amarela. Na área de risco estão 3 milhões de habitantes das regionais de Foz do Iguaçu, Toledo, Campo Mourão, Cascavel, Pato Branco, União da Vitória, Guarapuava, Irati e Francisco Beltrão. Ao todo são 157 municípios. A estratégia será a de vacinar cerca de 917,3 mil pessoas com mais de seis meses de idade e que não tenham recebido a vacina nos últimos dez anos. O período de vacinação prossegue até o dia 4 de abril. Na zona rural, a vacinação será feita de casa em casa e na área urbana, nas unidades de saúde.
Na área de transição estão outros 127 municípios das regionais de Londrina, Ivaiporã, Apucarana, Maringá, Paranavaí, Cianorte e Umuarama. Nesses municípios, apenas serão vacinados 755,9 mil moradores que vivem na zona rural. ''A vacinação será na zona rural, de casa em casa. Na área urbana, apenas estarão sendo priorizadas as pessoas que circulem pela zona rural. Não existe circulação urbana do vírus, só silvestre. Por isso, estamos dentro da margem de segurança e abrindo mais o leque do que é previsto pelo Ministério da Saúde. Não precisa de correria, nem de desespero. Vamos imunizar todos os que correm risco'', disse o secretário.
São consideradas livre de risco as regionais de Curitiba, Cornélio Procópio, Jacarezinho, Telêmaco Borba, Ponta Grossa e Litoral. Também serão intensificadas as ações de vigilância humana (com alerta para os sintomas por parte das regionais de saúde), vigilância de epizootias (análise de todos os primatas encontrados mortos), controle do Aedes Aegypti em área urbana, vacinação de 100% da população indígena, vacinação da população que se dirige aos locais de risco. Até agora, todas as análises de contaminação por febre amarela feita em primatas deram negativas. Apenas dois animais encontrados mortos ainda estão em análise laboratorial: um foi encontrado em Pitanga e outro em Salto Santiago.

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