A chegada do frio e as centenas de mortes por gripe A registradas em todo o País colaboraram para que o Paraná atingisse a meta da campanha de vacinação contra a gripe dias antes do encerramento oficial programado para sexta-feira. Mais de 2,3 milhões de pessoas foram imunizadas em todo o Estado até as 17 horas de ontem. Os casos de H1N1 no Paraná já somam 446 até a última segunda-feira.
Desde janeiro, 30 pessoas morreram após serem infectadas pelo vírus H1N1. Os óbitos foram registrados nas cidades de Foz do Iguaçu (7), Curitiba (3), Marmeleiro (3), Campo Mourão (2), Apucarana (2), Antonina (1), Quitandinha (1), São José dos Pinhais (1), Rio Azul (1), Chopinzinho (1), Francisco Beltrão (1), Espigão Alto do Iguaçu (1), Umuarama (1), Maringá (1), Londrina (1), Andirá (1), Cornélio Procópio (1) e Toledo (1).
Em Londrina, um homem de 58 anos que morreu no dia 30 de abril pode ser a segunda vítima do vírus H1N1. O exame emitido pelo Laboratório Central do Estado (Lacen) já confirmou a presença do vírus no organismo do paciente. No entanto, a gerente da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Rosângela Libanori, explicou que ainda não se sabe se o óbito foi causado pelo vírus. "Precisamos aguardar o laudo de necropsia para saber se a morte foi em decorrência de H1N1 ou de outras doenças crônicas, como pneumonia." Até a última segunda-feira, 16 casos de gripe A haviam sido confirmados em Londrina.
Idosos com mais de 60 anos, crianças com idade entre 6 meses e 5 anos incompletos, gestantes, mulheres que deram à luz nos últimos 45 dias, portadores de doenças crônicas, indígenas, profissionais da área da saúde e do sistema prisional e detentos devem ser imunizados até sexta-feira, quando termina a campanha nacional de vacinação. Em Londrina, 83% do público-alvo já receberam as doses. Porém, apenas 60% das crianças e 48% das gestantes procuraram as unidades básicas de saúde. Na manhã de ontem, 10 mil doses estavam disponíveis.
Durante a tarde, dezenas de pessoas passaram pelo posto de saúde da região central, na Rua Souza Naves. "Como todo brasileiro, deixei para a última hora", comentou o balconista de farmácia Fernando Bessa. "Não viemos antes por falta de tempo, mas, com certeza, vale a pena", garantiu a bancária Viviane Bogo Cardoso. Ela levou os filhos Leonardo, de 11 meses, e Giovana, de 3 anos. A avó das crianças, a psicóloga Lucirene Bogo, também recebeu a dose da vacina.
No entanto, algumas mães preferiram não imunizar as crianças. "O pediatra orientou a não dar a vacina. Decidi seguir essa orientação", afirmou a dentista Marisa Almeida, com a pequena Catarina, de 7 meses. "Meus filhos tiveram reação nos outros anos. Tiveram uma gripe muito forte. Acho melhor não vacinar", disse a consultora Alana Silva, mãe de dois meninos, de 3 e 5 anos.
O coordenador estadual de Imunização, João Luis Crivellaro, lamentou a decisão das mães. "A vacina é segura, é eficaz e os grupos são escolhidos por meio de um estudo epidemiológico. Eles são considerados os mais vulneráveis. Pode haver uma reação pós-vacinal com um pouco de dor no local da aplicação e a variação da temperatura do corpo horas depois, mas são reações dentro do quadro de observação. No caso das gestantes, o feto também não é prejudicado", apontou. O organismo é imunizado 15 dias após a aplicação da dose.
O Ministério da Saúde registrou 2.375 casos de gripe A entre 1º de janeiro e 9 de maio em todo o País. Ao todo, 470 pessoas morreram. Em Londrina, as unidades básicas de saúde da zona urbana funcionarão em horário estendido (até 18h30) hoje, amanhã e na sexta-feira, quando termina a campanha nacional de vacinação. Na zona rural, o atendimento será realizado até as 17 horas.

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