Curitiba - O Paraná realizou, entre janeiro e setembro deste ano, 1.091 transplantes de órgãos e tecidos. O número é 41,5% maior do que o registrado no mesmo período de 2010 (771) e supera o total do ano passado, quando 1.010 procedimentos foram realizados. O transplante de córneas lidera a lista, com 886 procedimentos realizados em 2011, contra 651 em 2010. Nos transplantes conjugados de rim e pâncreas também houve um aumento significativo. Até setembro de 2010, nenhum procedimento deste tipo havia sido realizado. Neste ano já foram feitos 16 transplantes de rim e pâncreas no Paraná.
De acordo com Arlene Badoch, diretora da Central Estadual de Transplantes, as doações aumentaram por uma série de fatores. Por um lado as famílias se sentem mais seguras em autorizar a doação. Por outro, o trabalho das Comissões de Procura de Órgãos e Tecidos (Copots) de Londrina, Maringá e Cascavel tem colaborado com o aumento da captação de órgãos e da qualidade dos transplantes. ''A conscientização das famílias cresceu e muitos viram a importância do procedimento. Grande parte dos hospitais tem equipes de captação de órgãos e elas estão cada vez mais ativas, os contatos têm sido mais frequentes. Nossa expectativa é fechar o ano com mais procedimentos e elevar o crescimento em 2012'', destaca.
O aumento do número de transplantes também se deve à agilidade das equipes na captação e transporte dos órgãos, com a utilização de aviões e helicópteros. Hoje, no Estado, são 54 serviços credenciados para a realização de transplantes de órgãos e córneas. ''Queremos melhorar a logística, mas dependemos da estabilidade do tempo porque utilizamos aviões para transportar os órgãos, então nem sempre temos teto para decolar'', afirmou Arlene.
Segundo a Central Estadual de Transplantes foram realizados 140 transplantes de rins no Paraná, entretanto, ainda há 2.500 pessoas na fila de espera. Outros 60 procedimentos de coração e 130 de fígado também ocorreram no Estado. ''Às vezes os pacientes que aguardam por um transplante não aguentam esperar. Os serviços melhoraram, a logística cresceu, mas não temos como prever o tempo de cada pessoa. Fazemos de tudo para tentar atender as expectativas. No caso dos pacientes que aguardam por um rim tem os serviços de hemodiálise, que fazem com que muitas pessoas consigam aguardar por um tempo maior'', disse Arlene.

Ranking

Segundo a Central de Transplantes, hoje o Paraná é o sétimo estado em número de transplantes de órgãos e tecidos. Quem lidera a lista é Santa Catarina. A média de captação dos catarinenses está em 27 órgãos por um milhão de habitantes. Atualmente o Paraná tem uma média de 10 por um milhão. ''Sabemos das dificuldades, mas pretendemos chegar entre os três primeiros do ranking no próximo ano. Estamos investindo e junto com a colaboração das famílias conseguiremos aumentar a captação e a realização de procedimentos', afirmou.
A doação só pode ser realizada se os familiares autorizarem, por isso é importante que as pessoas manifestem a vontade de serem doadores de órgãos aos parentes mais próximos.

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