Paraná avança no combate ao analfabetismo
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sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Se comparada à média nacional, o Paraná está avançando significativamente no combate ao analfabetismo. Em 2002, a taxa de analfabetismo no Estado era de 7,87%. Em 2006, segundo pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa caiu para 4,88%. O preocupante ainda está na faixa entre 7 e 14 anos, em que 2% das crianças estão fora da escola. Em Santa Catarina, o índice é de 1%. No Rio Grande do Sul, 1,6%.
A frequência na escola caiu entre 7 e 14 anos, se comparados os anos de 2006 e 2002. Também caiu a frequência entre os estudantes do ensino médio. Um dos motivos, segundo Luiz Alceu Paganotto, supervisor do IBGE, é a mudança no perfil escolar do Paraná por conta das modificações e da imposição de se matricular crianças a partir de cinco anos de idade (nessa faixa etária, a frequência nas escolas aumentou). Os dados do IBGE mostram que 2,8 milhões de paranaenses com mais de cinco anos de idade estudam.
No corte de gênero, as mulheres ainda são em maior número entre os analfabetos. No Brasil, são 14,9 milhões de analfabetos (destes 7,5 milhões são mulheres). No Sul, as mulheres analfabetas somam 661 mil, contra 537 mil homens. Mas são as mulheres as que permanecem mais tempo nos bancos escolares. A pesquisa do IBGE demonstra que elas ficam, em média, 7,3 anos estudando enquanto os homens ficam 7,2 anos. ''As mulheres cada vez mais chegam até a universidade. O número de mulheres sem estudo se concentra mais na faixa etária mais avançada. Exatamente porque muitas acham que é tarde demais para estudar'', pondera Paganotto.
A jornalista Silvane Maltaca é uma prova de que as mulheres procuram se especializar. Mesmo com as dificuldades do dia-a-dia, ela fazia pós-graduação em sociologia e trabalhava numa assessoria de comunicação. Descobriu que estava grávida e deixou tudo para se dedicar à filha. Até que foi chamada na TV Educativa. ''Eu fiquei parada alguns meses. Hoje trabalho como pauteira e ainda não voltei a estudar'', diz. Mas faz planos já que a filha está com 11 meses e menos dependente. Silvane pretende fazer especialização e mestrado em jornalismo científico. ''É importante estar sempre estudando, se reciclando para lutar por melhorias no trabalho''.
A pesquisa do IBGE incentiva a postura de Silvane. As mulheres, apesar de estarem conquistando o mercado de trabalho, ainda sofrem com o preconceito. O rendimento médio de um homem no Paraná é de R$ 1.120,00. A mulher recebe bem menos em média: R$ 724,00.


