Com o colapso no sistema de saúde vivido por estados do Norte do Brasil, o Paraná recebeu 30 pacientes de dois estados para atendimento em hospitais de Curitiba. Nesta semana, 13 pacientes de Rondônia e 17 do Amazonas foram transferidos para a capital do Paraná.

Imagem ilustrativa da imagem Paraná atende 30 pacientes com Covid-19 vindos do Norte do país
| Foto: Geraldo Bubniak-AEN

De acordo com a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa-PR (Secretaria de Estado da Saúde), Maria Goretti David Lopes, todos os procedimentos de segurança estão sendo adotados desde a hora do embarque até a chegada aos hospitais de Curitiba. Os pacientes permanecem em leitos isolados e os profissionais de saúde coletam amostras para análise do coronavírus.

“São pacientes confirmados com Covid-19, mas não temos a informação se são pacientes com a variante. Estamos tomando todos os cuidados. A princípio, todos os pacientes que vieram estão em enfermaria. São pessoas que não tiveram acesso aos hospitais por exaustão do serviço de saúde e que nós, em demonstração de solidariedade, temos que atender a todos que precisam. O Paraná tem condições neste momento e estamos prestando esse atendimento”, afirmou.

Na última segunda-feira, a Sesa-PR publicou uma nota orientativa com medidas de prevenção da disseminação das variantes do coronavírus. Pessoas com histórico de viagem ao exterior ou a estados do Brasil que já apresentaram a confirmação da circulação de variantes do coronavírus devem cumprir a quarentena de isolamento e realizar testagem, se necessário, além do monitoramento dos casos.

Segundo a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde, as amostras coletadas são encaminhadas ao Lacen-PR (Laboratório Central do Estado). As equipes fazem a análise e, em caso de suspeita da presença de uma variante ao vírus original, a amostra é encaminhada para o laboratório da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro. As amostras são realizadas com prioridade.

“Nós sabemos que essa variante tem taxa de transmissibilidade mais alta. Ela é, aproximadamente, 70% mais transmissível. Nós não queremos recomeçar a pandemia. Queremos terminar esse ciclo de quase um ano que estamos vivendo no Paraná com a diminuição de casos e de óbitos.

Em reunião virtual realizada nesta quinta-feira (28) entre representantes do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais e municipais de Saúde, representantes dos municípios solicitaram ao governo federal que busque alternativas como a instalação de um hospital de campanha em uma localidade específica para evitar a transferência de pacientes a vários estados do país. Conforme Lopes, 11 estados já receberam pacientes de Rondônia e do Amazonas.

“É complicado. Há um limite de atendimentos. Hoje podemos atender, mas amanhã não sabemos. Isso poderá comprometer a rede de atendimento dos demais estados”, comentou. Até o momento, não há casos confirmados da variante do novo coronavírus no Paraná.

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria de Saúde de Curitiba, Pedro Henrique de Almeida, explicou que esses pacientes que vieram da Região Norte foram colocados em um setor isolado dos demais. “A gente não quer que a nova cepa entre no Paraná”, destacou. Ele ressaltou que foi coletado material genético dos vírus desses pacientes para fazer estudo desses genes. “Acho importante acolher esses pacientes. Todo mundo tem que se ajudar um pouco. A mazela de um é a mazela de todos. A gente, que tem um pouco de condições, tem que ajudar quem não tem. E a gente fica feliz com isso”, declarou.(Colaborou Vitor Ogawa)

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